Cumpridos que são seis meses de vida, a geringonça aí está, estuante de energia, alimentando-se do contraditório que se lhe quer impor.`Sendo já indisfarçável o sorriso amarelo exibido pelos que difundiram o epíteto, em boa hora sugerido, para gáudio de uns e incipiente constrangimento de outros, nota-se que são hoje os promotores da dita a promoverem o dito!
Poucos terão estado atentos à enviesada etimologia da palavra, ao seu percurso, por via castelhana, desde as plagas italianas até terras lusitanas, estanciando agora no nosso território, como se a viver dos rendimentos.
Em suma, um produto meridional europeu, imaginoso, com a inerente marca de qualidade!
Sendo, na sua essência, incompatível com o estilo atento e obrigado dos proverbiais e complacentes bons alunos cá do burgo, a geringonça evidencia a verdade propagandística de que «o que é nacional é bom»!
Quem entre nós não ouviu as histórias dos nossos emigrantes, também narradas por alemães e quejandos, como a do operário português que, com um simples clip, conseguiu repor em funcionamento uma máquina, enquanto os competentes engenheiros pro-troikos consultavam os adequados manuais de instruções? Todos as ouvimos…
… ou o episódio, ocorrido há poucos anos, do nosso compatriota, único português a bordo de um avião, no Extremo Oriente, que enfrentou uma grave situação de emergência e foi quem conseguiu abrir uma porta para que se escapulissem os seus esbaforidos ocupantes? Não se lembram?
Este desigual modus operandi, habitualmente mimoseado com o labéu de desenrasca, manifesta a necessidade de superar pelo improviso a sufocação causada por deficiências várias… mas é nosso!
Quando, há seis meses, ressurgiu, de pleno, no léxico nacional, a sinistra dinâmica da palavra geringonça predestinava-a para uma destruição de reputações.
De facto, não era bem esse o estilo que propunham/impunham os «manuais de instruções» europeus, cuja fruição traz babados os impenitentes «euro-basbáquicos», revisitantes figurões de antigos servilismos!
Que António Costa se colocou no fio da navalha todos o sabemos, mas é elucidativa a crescente divisão entre os que se admiram de que ainda não tenha caído e os que pensam que já não cairá!
É conhecida a sentença de Arnold Toynbee, de que houve na História um antes e um depois de Gama!
Pois bem, Nós, que fomos, em Quatrocentos e Quinhentos, intérpretes da Grande Ação, que bem se conhece, temos o poder-dever de recusar a sistemática utilização de guiões impostos por estranhos à nossa natureza, que insistem em determinar sem conhecer, em subverter o que nem conseguem identificar!
O PS-de-geringonça-ao-peito versus Oposição é o contraponto da experiência clip versus «Manual de Instruções», numa enigmática relação Amor-Ódio, já instalada no País, habituados que fomos a viver e a cultivar uma vocação malabar!
É evidente que a questão é bem mais complexa, mas impõe-se a consagração do direito á gerinçonça!
Acreditemos em nós, para que se possa acreditar em Portugal!
Opinião de Arnaldo de Macedo-Santos | Jurista