A exposição Cannes e a Côte d’Azur de Eduardo Pinto está patente no espaço ALFA (Associação Livre de Fotógrafos do Algarve), na Galeria Arco, na zona histórica da Vila Adentro, em Faro, até ao final de junho.
Cannes… só o pronunciar do nome emana todo o encanto e o glamour do mundo do cinema. E, claro, o charme da Côte d’Azur, região que foi lugar de demanda de inúmeros artistas, como Renoir e Picasso, em busca da luz mediterrânica; e de escritores como o norte-americano Scott Fitzgerald, que aí viveu o espaço narrativo do seu romance Terna é a Noite, assim como de uma fascinante e decadente fauna humana, ricamente ociosa, que, nada tendo criado, muito contribuiu com as suas loucas extravagâncias para a fama deste recanto do sul de França.
O Eduardo Pinto, conhecido fotógrafo algarvio, viajou ao serviço da Algarve Film Commission entre 2007 e 2019, ano após ano, sempre no mês de maio, quando Cannes é o epicentro daquele que é o Festival dos festivais de Cinema, não só pelos filmes a concurso na competição oficial, mas pelas inúmeras secções, das quais destaco Un Certain Regard e a Quinzaine des Cinéastes.
Toda a cidade é literalmente ocupada, a La Croissette, a avenida costeira, com os hotéis exibindo cartazes gigantescos dos filmes mais comerciais, as produtoras, os agentes, o marché du film, a imprensa e televisões.
Apenas tive a felicidade de estar no festival em 2005, graças à amizade do Roberto e da Claude, que estiveram um tempo a viver em Faro e a trabalhar na área da cultura da Alliance Française, sendo protagonistas de algumas iniciativas na cidade. De quem fiquei amigo, tendo também colaborado com ambos na revista Em Cena.
Ao ver a exposição do Eduardo Pinto, ao falar com ele enquanto íamos comentando as fotografias, Cannes emergiu numa partilha de memória. Esta exposição é uma memória visual e muito particular do autor.

E, mais espaço houvesse, muitas mais fotografias haveria para mostrar. Fica a promessa de uma mostra mais ampla. Foram muitos anos sempre de máquina em punho.

Gostei especialmente de alguns registos ainda analógicos, da textura baça da maioria das fotografias (por oposição ao brilho) e, claro, do seu olhar fotográfico focando momentos e realidades menos evidentes.
A exposição Cannes e a Côte d’Azur está patente no espaço ALFA (Associação Livre de Fotógrafos do Algarve), na Galeria Arco, na zona histórica da Vila Adentro, em Faro, até ao final de junho.
Paulo Penisga