Num país pobre sempre houve pobres, essa tem sido parte da história de Portugal. Tem cabido à sociedade civil dar resposta a esse grave problema, permitindo que a situação não se torne insustentável em termos sociais. Essa é uma verdade pouco reconhecida, sobretudo pela própria sociedade.
Nestes últimos anos, onde a crise foi mais agudizada que o habitual (sim, porque Portugal é, e sempre foi um país em crise!) coube ao setor social manter a paz e a tranquilidade, manter a ordem pública, manter a coesão e a integridade dos territórios. Alguns dirão: exagero!
Será? Qualquer animal defende as suas crias com tudo o que pode, incluso com a própria vida. Qualquer humano pode passar fome, mas tudo fará para que os seus filhos não passem.
Um Homem com filhos com fome está disposto a tudo!
Tal nunca aconteceu, e não acontecerá, porque um exército de anónimas «formigas», dia-a-dia, está disposto a dar de si em prol de todos.
A alimentação distribuída nos últimos anos no Algarve foi feita maioritariamente através deste «exército» de homens e mulheres, através de instituições formalmente organizadas ou grupos informais de pessoas, todos de coração grande e muito boa vontade. Será isso o bastante?
Perceber do grau de carência de quem nos aborda é fundamental! Apoiar quem precisa, quem é comprovadamente carenciado é um imperativo. Não se pode não dar resposta à verdadeira carência, em detrimento de um trabalho fácil, onde o coração se sobrepõe à razão.
Muitos são os que se «alimentam» do setor social abusando de uma sociedade generosa e comprometida. Cabe a nós envolver, todos quantos recebem apoio, em atividades na comunidade e nas próprias instituições. Não se trata de um direito ou de uma obrigação, mas sim de um dever.
O dever de se manter envolvido. O dever de se levantar de manhã, tomar um banho, vestir-se, sair de casa e ter um sentido para o dia. O dever de se manter ativo. O dever de lutar pela vida e reconstrui-la. O dever de voltar a ser contribuinte e permitir que este ciclo não se quebre.
Nunca se sabe quando não precisamos de ajuda. É isso que o setor social dá, Ajuda! A oportunidade de «caíste, mas estou aqui para te ajudar a levantar, acompanhar-te nos primeiros passos e assim que consigas caminhar por ti, segue, pois outros tenho de os levantar e ajudar».
Os recursos são escassos e limitados, incluindo a boa vontade de um povo solidário, mas farto de ser chamado para tudo, sobretudo chamado para dar a cara aos desgovernos alheios.
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Opinião de Nuno Cabrita Alves, presidente do Banco Alimentar do Algarve.