Os executantes e beneficiários da política de direita repetem até à exaustão que não há alternativa a essa política. Esperam, talvez, que esta mentira, repetida mil vezes, se torne verdade. Esperam, talvez, que os portugueses se resignem e deixem de sonhar e lutar por um futuro melhor. Mas a verdade é que em política, como na vida, há sempre alternativa.
Em vez de reduzir os rendimentos do trabalho, por via de cortes salariais, do congelamento de carreiras e do prolongamento da jornada de trabalho, é possível valorizar o trabalho e os trabalhadores.
Em vez de fragilizar a Segurança Social, desorganizar o Serviço Nacional de Saúde, degradar a Escola Pública e subalternizar a Cultura, é possível reforçar as funções sociais do Estado e os serviços públicos.
Em vez da desindustrialização e do abandono da agricultura e das pescas, é possível apostar na recuperação do aparelho produtivo nacional.
Em vez de uma política fiscal que esmaga os trabalhadores e os pequenos empresários, é possível tributar de forma mais adequada as grandes empresas e os grupos económicos, gerando receita fiscal adicional para as necessidades de financiamento do Orçamento do Estado.
Em vez de eleger como desígnio nacional o pagamento “custe o que custar” da dívida pública, levando à recessão ou estagnação económica e a um nível de desemprego colossal, é possível renegociar a dívida pública, compatibilizando o seu pagamento com as necessidades de crescimento económico e de criação de emprego.
Em vez do aprofundamento da dependência externa e da submissão aos interesses do grande capital nacional e transnacional, é possível afirmar um Portugal livre e soberano numa Europa de paz e cooperação.
Enfim, em vez da política de direita, imposta por sucessivos governos do PS, PSD e CDS, é possível a política patriótica e de esquerda, proposta pela CDU.
Nos últimos anos, ao mesmo que proclamavam que as medidas de austeridade impostas no âmbito dos PECs e do Programa da Troika eram temporárias, PS, PSD e CDS assumiram com a União Europeia o Tratado Orçamental, o qual não só mantém como aprofunda a política de austeridade. Esta opção dos três partidos da TroiKa interna só pode significar uma coisa: a intenção de prolongar a política de exploração e empobrecimento dos PECs e da Troika por muitos e muitos anos.
Mas Portugal e o Algarve não estão, obviamente, condenados a ter o seu presente e o seu futuro hipotecados pela política de direita imposta por PS, PSD e CDS. Há alternativa! E as eleições legislativas do próximo dia 4 de outubro constituem uma oportunidade para que os portugueses expressem a sua rejeição pela política de direita e abram caminho a uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que assegure um futuro de justiça social e progresso, num país soberano e independente.
Paulo Sá | Deputado do Grupo Parlamentar do PCP