Segurança pública deve ser debatida com factos, contexto e equilíbrio, sem alarmismo, defende Isabel da Silva Lobo, comandante da Polícia Municipal de Olhão
A segurança é um tema demasiado importante para ser tratado apenas com base em perceções, emoções ou narrativas de nostalgia. É natural que mudanças sociais, crescimento urbano e maior exposição mediática a determinados acontecimentos possam gerar preocupação nas populações. No entanto, uma sociedade equilibrada deve procurar analisar estes fenómenos com rigor, contexto e sentido de proporcionalidade.
A sensação de insegurança nem sempre corresponde a um aumento real da criminalidade. Muitas vezes, a repetição constante de determinados episódios nas redes sociais, em conversas públicas ou na comunicação social contribui para criar uma ideia de degradação generalizada que nem sempre é sustentada por dados concretos.
É igualmente importante evitar a idealização do passado. Todas as gerações tendem a recordar tempos anteriores como mais tranquilos e seguros, esquecendo que problemas sociais e episódios de criminalidade sempre existiram. A diferença atual está também na velocidade com que a informação circula e na amplificação permanente de acontecimentos isolados.
Discutir segurança pública exige responsabilidade. Isso implica analisar estatísticas, compreender as causas sociais dos problemas, distinguir casos pontuais de tendências reais e evitar discursos que alimentem medo ou divisão.
Questões como exclusão social, falta de oportunidades, pressão urbana, ausência de policiamento de proximidade e fragilidades no apoio comunitário merecem muito mais atenção do que narrativas simplistas.
Uma comunidade forte constrói-se com equilíbrio: reconhecer problemas sem dramatizações, exigir soluções sem populismo e promover um debate sério baseado em factos e não apenas em perceções. O alarmismo pode gerar ansiedade e desconfiança; já a análise séria permite encontrar respostas concretas e eficazes.
Importa ainda reconhecer o papel desenvolvido diariamente pelas forças de segurança locais na promoção da ordem e da tranquilidade públicas.
Embora a Polícia Municipal não tenha competências de investigação criminal, a sua presença no terreno, a fiscalização, a mediação de conflitos, o apoio à população e a colaboração permanente com as forças de segurança representam um contributo relevante para o sentimento de segurança e para a qualidade de vida da comunidade olhanense.
Isabel da Silva Lobo
Comandante da Polícia Municipal de Olhão
Subintendente da PSP