Imagine-se, por momentos, um Torneio em plena Idade Média, aberto, democraticamente (apesar da época), a Senhores Feudais e a Servos da Gleba, mas em que os primeiros se apresentavam montados em bons cavalos e com melhores armaduras e lanças, enquanto os segundos em burros e com simples paus nas mãos.
Dirá o leitor que se trataria, desportivamente, de uma fraude, uma vez que não havia igualdade de armas entre os participantes, adivinhando-se, antecipadamente, que o vencedor só poderia sair, a não ser que se desse um qualquer «milagre», de entre os Senhores Feudais!
Ora, se olharmos, nos tempos que correm, por exemplo, para o mundo do futebol, o que podemos dizer é que os respetivos campeonatos não deixarão de ser, em parte, também uma fraude, em que fácil será perspetivar, ainda os mesmos não começaram, donde sairá o vencedor: de entre os «ricos», daqueles onde há toda uma concentração de «capital», que lhes permite adquirir, entre outras coisas, os melhores treinadores e jogadores.
Em Portugal, por exemplo, não existirá, propriamente, um campeonato da Primeira Liga, existindo sim, um campeonato entre a SAD/Benfica, SAD/Sporting, SAD/ Porto e pouco mais, servindo as restantes equipas, apenas, de meros elementos decorativos. Mais verdade desportiva haverá num campeonato do INATEL!
Logo, não se percebe tanta «euforia» popular quando um dos «ricos» torna a ganhar, num país que se pretendendo democrático, deveria ser de igualdade de oportunidades!
Imagine-se a riqueza de um campeonato e do entusiasmo outro que ele poderia proporcionar, em que, à partida, qualquer dos respetivos participantes se apresentasse como potencial vencedor!
Mas isso seria falar, naturalmente, duma sociedade mais justa no que diz respeito à distribuição da riqueza, de que estaremos longe. Ou, se se quiser, reconhecer que o futebol também tem a ver com a política!