A Ordem dos Médicos, através do Conselho Distrital do Algarve, Conselho Regional Sul e do seu Bastonário enviou um comunicado às redações, manifestando «apoio e solidariedade» à médica Alexandra Adams, «reconhecendo o seu excelente trabalho como Neurocirurgiã em prol dos doentes algarvios, e recomendando ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) que faça alguma formação para melhorar a sua competência em gestão de recursos humanos altamente diferenciados».
Isto porque «no início do mês fomos confrontados com a substituição da diretora de serviço de Neurocirurgia do CHA, Alexandra Adams. Esta situação seria perfeitamente natural e aceitável, até porque a própria apresentou a sua demissão, se, na circular que formaliza a sua demissão, não fossem tecidos inesperados e inusitados comentários sobre a sua competência técnico-profissional. Não é admissível que qualquer Conselho de Administração e um qualquer administrador ponham em causa a competência técnico-profissional de um médico sem que para isso não haja sequer um processo de averiguações que o prove», sublinha a Ordem dos Médicos.
«Sem colocar em causa o ato de substituição, esta inqualificável postura do Conselho de Administração gerou uma onda de protestos no CHA, manifestada pelos diretores de departamento e diretores de Serviço que, solidarizando-se com a médica Alexandra Adams, reconheceram que o seu trabalho tem sido de grande competência técnica em prol da Neurocirurgia do Algarve».
O comunicado da Ordem dos Médicos, enviado na terça-feira, 19 de julho, sublinha também que «a saúde no Algarve continua instável». «É bem conhecida desde há muito a carência de médicos no Algarve, fruto das recentes más políticas de Saúde, quer na Medicina Geral e Familiar, quer nas especialidades hospitalares. No entanto verifica-se de uma forma mais aguda nas especialidades de Anestesia, Ortopedia e Ginecologia/Obstetrícia, resultado do abandono do Sistema Nacional de Saúde (SNS) por um elevado número de médicos. O atual governo continua sem resolver este problema, que não radica na falta de médicos em Portugal, mas na desvalorização do trabalho médico no SNS, que o Ministério da Saúde tem formas de resolver».