«Ambicionamos o reconhecimento da qualidade das nossas ostras e da marca a nível nacional. Queremos provar que o que é da Culatra é excelente», explica a mentora do projeto e presidente da associação de produtores de ostras da Culatra, Sílvia Padinha.
A esta recente «experiência piloto» – como Padinha gosta de lhe chamar – juntaram-se mais três produtores que apostaram na produção de 750 mil sementes de ostras distribuídas por 2500 metros quadrados. São «produções familiares, que criam de forma sustentável, com qualidade e amigas do ambiente», esclarece.
Toda esta aposta nas ostras da Culatra só faz sentido após constatarem que «é um produto de grande qualidade que estava a ser vendido sem identidade própria. Não há quaisquer dificuldades no seu escoamento, o que queremos é realmente acrescentar valor e reconhecimento» a esta iguaria da Ria Formosa. «Um dos nossos objetivos para este ano é vender 60 por cento da produção para França e disponibilizar 40 por cento para o mercado nacional», explica.

A ostra pode ser classificada como «normal», «especial» ou «extra». O que as diferencia é o seu peso.
Padinha explica como é calculada a fórmula para aplicar a classificação: «pegamos num lote de 20 ostras bem lavadas e escorridas e pesamo-las. De seguida, abrimo-las, retiramos a carne do interior, colocamo-la num escorredor e pesamos. A fórmula que consta no Acordo Interprofissional dos produtores franceses é: peso da carne das 20 ostras x 100 a dividir pelo peso das 20 ostras fechadas. Se o resultado deste cálculo for igual ou superior a 10,5 então estamos perante um lote «especial». Na prática, significa que temos uma ostra «especial» se o peso da carne for pelo menos 10,5% do peso total».
Em termos de tamanhos das ostras comerciais são classificadas por T3 quando pesam entre 65 e 85 gramas, T2 entre 86 e 105 gramas, T1 entre 106 e 125 gramas e T0 todas aquelas com mais de 126 gramas. A maioria dos selos das embalagens «Ostra da Culatra» para venda indicam: «T3 Ostra Especial da Culatra».
As ostras são depois vendidas em embalagens de 12 peças (aproximadamente 1 quilograma) pelo valor de 7,19 euros mais IVA, ou em caixas de 50 unidades (aproximadamente 5 quilogramas) pelo valor de 29,99 euros mais IVA.
Onde comprar e porquê optar pelas «Ostras da Culatra»
Nesta fase inicial, as ostras estão disponíveis nas grandes superfícies comerciais da MAKRO de Faro e da Guia, encontrando-se em negociações para serem vendidas também a nível nacional. No entanto, Padinha sublinha que a marca «Ostras da Culatra» está disponível e aberta a novas propostas de comercialização.
«E porque é que as nossas ostras são de qualidade superior? Porque o Algarve tem das melhores condições possíveis para o melhor desenvolvimento deste bivalve: a alimentação rica em zooplâncton e fitoplâncton, a superior qualidade das águas e o clima. Tudo isto faz com que no prazo de um ano e meio as ostras tenham atingido o tamanho, formato e a textura ideal para serem consumidas».
Explorações familiares, sustentáveis e equilibradas
No entanto, Padinha reforça a sua preocupação em que a exploração das ostras se mantenha o mais sustentável e amiga do ambiente possível. «As produções são sobretudo familiares. Cada família tem a sua área de produção e tenta tirar o maior partido possível da mesma. Até porque viver da pesca está cada vez mais difícil… por isso, a produção de ostras surgiu como uma alternativa e complemento aos rendimentos». A dirigente associativa lamenta que até hoje ainda não exista um planeamento de zonas de produção por espécies, para que não sejam produzidas em excesso, criando desequilíbrios ou conflitos na natureza. «Há que deixar o ecossistema em aberto e não o sobrecarregar para que se possa produzir com qualidade».
«Os franceses andam sedentos à procura de espaços para explorarem ostras»
Outra grande preocupação prende-se com o interesse cada vez maior na exploração de viveiros por parte de investidores franceses e grandes empresários nacionais e internacionais. «Muitos viveiristas e mariscadores da Ria Formosa têm-se mostrado apreensivos pelo facto de grandes grupos económicos, sobretudo franceses com elevado poder financeiro, estejam a obter licenças de utilização das áreas de produção de amêijoa-boa com o objetivo de transformar as mesmas em áreas de produção de ostras, em prejuízo da população local, podendo vir a destruir e descaracterizar esta área natural». Por este motivo já endereçaram vários ofícios à Agência Portuguesa do Ambiente e demonstraram a sua preocupação junto da Direção Geral dos Recursos Marítimos.
Padinha refere ainda que na verdade, «muitas ostras nacionais que são exportadas para França são depois vendidas com marcas francesas, e algumas são até revendidas a nível nacional».
Produtos locais de valor superior
No futuro, Padinha confidencia que para além da marca «Ostras da Culatra» o objetivo é apostar na criação de outras marcas, como possivelmente, da «Amêijoa da Culatra». E conclui reforçando que «é importante transmitir que o nosso produto que provem de pequenos produtores e explorações familiares é bom, fresco e artesanal. Tem muito valor, potencial e qualidade, e por isso, há que reconhecer e apreciar o que de melhor cá se produz».