Sérgio Martins | Diretor de marketing da Rotatur – Operadores Turísticos, Lda.
Vamos ter dois problemas. Um é o Aeroporto de Faro que está em obras. Temos que ser tolerantes, as intervenções têm que ser feitas se o queremos melhor no futuro. Infelizmente, coincide com um ano que se espera muito bom. O segundo são as obras na EN125. Temos de ser tolerantes porque a sua conclusão vai trazer benefícios. É pena coincidir também com um ano de grande afluência. Mas há solução. Basta os políticos quererem. Poderiam abrir a A22 livre de portagens durante a época alta. O prejuízo não seria grande, facilitaria a obras na EN125 e a produtividade de quem trabalha no turismo. Sobre o «entupimento» que refere, é verdade que os hotéis estão cheios. Os grandes operadores já procuram alternativas no Alentejo. Não é um caso de stress, de alarme ou de pânico. Se houvesse uma tragédia no mar que trouxesse poluição para as nossas praias, isso é que seria preocupante. A parte operacional vai ser mais vincada, mas penso que os profissionais vão saber dar conta. Sugeria e recomendava a todos, que aproveitassem esta onda para demonstrarem um elevado grau de profissionalismo em vez de especularem nos preços.
Pedro Lopes | Administrador do grupo Pestana
Sim, o Algarve está bem preparado. São todos bem-vindos! Nos dois últimos anos já tivemos enchentes em agosto. Pelo que quando a capacidade de ocupação chega aos 100 por cento deixa de ser possível receber mais turistas. Provavelmente, este ano o período de enchente vai ser mais prolongado. Mas, na minha opinião, a região tem todas as condições e capacidade para fazer em julho ou em setembro o que já faz em agosto: «estar cheia». E, como hoje ninguém viaja sem ter a sua reserva assegurada, o que vai provavelmente acontecer é que os últimos turistas a tentarem reservas das suas estadias no verão na região, diretamente ou via operadores, já não vão poder ficar no Algarve como gostariam. É a lei da oferta e da procura. Em 2008 tivemos cerca de 16 milhões de dormidas em estabelecimentos hoteleiros classificados. Em 2015 já foram 17,5 milhões de dormidas. Pelo que esse ano «mítico» de 2008 já foi ultrapassado, portanto. Também contribui para esta situação o aumento de números de camas na região. As classificadas que cresceram, segundo o INE, de 98 mil para 118 mil (+20 por cento) e o alojamento local (vilas e apartamentos) disponível também cresceu, talvez ainda mais.
Reinaldo Teixeira | Administrador da Garvetur
O Turismo é um recurso estratégico da economia nacional. Face ao impacto das atividades turísticas e as correlacionadas, é aconselhável ponderação na análise efetuada, evitando-se exageros e defendendo a retoma e o crescimento sustentado do setor. Desde 2013 surgiram sinais positivos, e sabemos que o Algarve representa cerca 50 por cento das receitas geradas pelos turistas estrangeiros, perto de 6 mil milhões de euros por ano. A nossa região representa cerca de 50 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) gerado pelo Turismo, sendo o contributo do setor de cerca de nove por cento do PIB (2014), a rondar os 17 mil milhões de euros. Contudo, os principais mercados emissores de turistas para o Algarve sofreram profundas alterações. As formas de comunicar com os clientes são diferentes. O perfil dos visitantes também se modificou, assim como as acessibilidades aéreas e rodoviárias, desde 2008. Importa agora um maior investimento na promoção, legislação específica para o sector e uma estratégia concertada entre instituições e empresas. Num ano de resultados positivos, os empresários irão adaptar-se aos desafios, tal como demonstraram grande capacidade de resiliência nas situações menos boas.
Vítor Cabrita Neto | Presidente do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve
Vamos ter um bom verão. A afluência de turistas estrangeiros nos primeiros quatro meses do ano para aí aponta. O Aeroporto de Faro registou mais 23 por cento de passageiros. O que é positivo. Beneficiamos das dificuldades de outros destinos concorrentes, mas o nosso crescimento não depende só disso. O Algarve tem vindo a recuperar – teve mais um milhão de dormidas de estrangeiros em 2013, quase outro milhão em 2014 e meio milhão em 2015, atingindo os 12,7 milhões de dormidas de estrangeiros (alojamento classificado). Em relação a 2001, quando se registou 12,6 milhões de dormidas de estrangeiros, o Algarve tem hoje mais 20 mil camas só em estabelecimentos hoteleiros. Há mais capacidade de resposta, mais ofertas de lazer, melhores infraestruturas, mais experiência empresarial e dos municípios, mais qualificação. Claro, problemas não faltam. Mas com inteligência, trabalho e bom senso – e a colaboração do poder central – é possível responder a aumentos da procura. É importante para a economia, as empresas e o emprego. O Algarve deve aproveitar para refletir sobre os erros do passado e consolidar uma estratégia inteligente e uma liderança eficaz, capaz de responder aos desafios do futuro.
Elidérico Viegas | Presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA)
Os hotéis e empreendimentos turísticos não só estão preparados, como desesperam por este aumento da procura. Em 2015, a taxa de ocupação média foi de 60 por cento e, por conseguinte, ainda longe dos valores registados nos anos anteriores à crise. Por outro lado, é preciso não esquecer que a ocupação hoteleira não é homogénea. Entre novembro e março, a ocupação é de apenas 33 por cento e, em termos reais, não ultrapassa os 17 pontos percentuais, uma vez que cerca de metade dos estabelecimentos encerram neste período. Na estação média, abril, maio e outubro, não vai além dos 55 por cento, enquanto em junho e setembro é de 75 e, somente, em julho e agosto chega aos 85. A região dispõe de infraestruturas e equipamentos capazes de garantir uma boa envolvente no que se refere a bons serviços de apoio, (saúde, comunicações, higiene e limpeza, segurança), que fazem do Algarve um dos destinos mais bem preparados para responder aos desafios competitivos das procuras turísticas contemporâneas. Um dos objetivos da atual política de turismo é a atenuação dos efeitos negativos da sazonalidade, o que exige melhorar as prestações durante todo o ano.
Desidério Silva | Presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA)
Na minha opinião, o Algarve está bem preparado, devido à grande experiência que os vários players do sector têm vindo a acumular. É verdade que há uma grande procura da região para a próxima época alta e, tenho a certeza que os profissionais vão saber responder aos desafios. Espera-se um ano de novos recordes e, por isso, nas minhas várias intervenções, tenho chamado a atenção para o facto que é preciso aproveitar esta oportunidade para consolidar o futuro e a sustentabilidade do Algarve enquanto destino turístico. Não só durante o verão, mas ao longo de todo o ano, com tudo o que temos para oferecer, desde o golfe ao turismo de natureza. Penso que vamos saber receber muito bem os novos mercados, como é o caso da Suíça e Áustria, que têm novas ligações a Faro, e o mercado francês que também aposta forte na região. Vamos também reconquistar o interesse dos mercados escandinavos, pela segurança que o destino oferece. Penso que os nossos empresários e hoteleiros vão focar-se em prestar um serviço de qualidade e de excelência, para fidelizar a confiança e o interesse dos turistas, para que quando marcarem as suas próximas férias, o Algarve esteja de novo no topo da sua lista de preferências.





