Ainda o mês de janeiro corria e já as cerca de 300 propriedades que o Grupo Carvoeiro Clube disponibiliza para alugar registavam grande procura. «Temos taxas de ocupação superiores às que tivemos em anos anteriores, no período homólogo. Um crescimento de cerca de 20 por cento», estima Patrícia Bürer, diretora geral do Grupo Carvoeiro Clube.
«Noto uma grande procura pela qualidade. Todas as melhores villas, todos os apartamentos de qualidade superior, todas a propriedades topo de gama com vista para o mar, foi tudo vendido em janeiro para a época inteira», revela.
O Algarve surge este verão como um porto seguro alternativo aos problemas de insegurança no Mediterrâneo, o receio do terrorismo e crise dos refugiados. Há portanto, uma forte aposta dos operadores do norte da Europa na região. «Nos anos anteriores, não tivemos mercado com poder de compra para este tipo de produtos». Por exemplo, uma villa de luxo custa em média, três mil euros, por semana, no pico do verão. «Esta procura dá-nos a esperança de conseguirmos motivar mais proprietários a investirem nas suas propriedades, porque precisamos de elevar o standard e a qualidade da nossa oferta», explica.
Mas então, qual o motivo para preocupações? «O problema é que, com a crise que tivemos, os hotéis algarvios estavam tão desesperados que assinaram contratos com o máximo de operadores europeus que conseguiram. Isto traz, de novo, à região o problema da sobrevenda (overbooking). Quem tinha 100 quartos vagos, vendeu 300», diz esta gestora hoteleira com 25 anos de experiência.
«Lembro-me que nos bons velhos tempos, também tivemos este problema que levou ao colapso. Os hotéis não se focaram no controlo das vagas e naquilo que disponibilizaram ao mercado», um cenário que teme que se repita em 2016.
«Porque como tivemos anos tão miseráveis e agora podemos beneficiar desta nova situação, espero sinceramente que os hotéis algarvios estejam conscientes daquilo que disponibilizaram aos diferentes operadores. Espero que controlem, de facto, a oferta. Se apenas têm 15 quartos para julho e colocaram no mercado 50, é um grande risco», avisa.
Patrícia Bürer tem fontes próximas num operador suíço. «Sei que já há problemas devido à sobrevenda. Todos sabemos que a relação qualidade/preço não foi boa, nos últimos cinco anos, no Algarve. Os outros destinos, durante a crise, fizeram um esforço para atualizarem as suas ofertas e os seus produtos, para irem ao encontro das expetativas dos clientes. Aqui, isso não foi possível devido à crise. Não houve dinheiro para investir. Agora temos a oportunidade de recuperar alguns mercados, como o suíço, que praticamente desapareceu do Algarve», considera.
«Precisamos de fornecer qualidade. Nos anos de crise, estávamos muito limitados em melhorar a nossa competitividade. Agora, temos oportunidade de recuperar os mercados escandinavos, com grande poder de compra. Estes clientes esperam boa qualidade. Não apenas um bom hotel, mas um excelente serviço».
«Preocupo-me, porque virá o tempo em que estas pessoas vão viajar de novo para a Turquia, Tunísia, Grécia, e outros destinos que concorrem connosco. Os empresários lá não estão a dormir. Estão à espera da próxima temporada em que possam, de novo, receber os veraneantes. É apenas uma questão de tempo. Precisamos agora de vender tudo o que é positivo em Portugal, para que regressem. Se não o fizermos, não sei o que irá acontecer na próxima crise».
Esta gestora recomenda aos pares que «trabalhem na qualidade. Não podemos relaxar neste negócio. Temos de estar atentos ao que se passa no resto do mundo. Às vezes, sinto que os meus colegas não percebem. Parece que não lhes interessa inovar e corresponder às expectativas dos clientes de hoje», critica. Nos seus pendentes, Bürer «gostaria de fundar uma organização informal em que os gestores hoteleiros desta zona se poderiam encontrar com regularidade. Isso acontece nos Alpes suíços, onde há grupos de partilhas de ideias. Aqui, sinto que a atitude é que trabalhamos uns contra os outros, e não em conjunto. É pena, porque juntos seriamos mais fortes», conclui.Ainda o mês de janeiro corria e já as cerca de 300 propriedades que o Grupo Carvoeiro Clube disponibiliza para alugar registavam grande procura. «Temos taxas de ocupação superiores às que tivemos em anos anteriores, no período homólogo. Um crescimento de cerca de 20 por cento», estima Patrícia Bürer, diretora geral do Grupo Carvoeiro Clube.
«Noto uma grande procura pela qualidade. Todas as melhores villas, todos os apartamentos de qualidade superior, todas a propriedades topo de gama com vista para o mar, foi tudo vendido em janeiro para a época inteira», revela.
O Algarve surge este verão como um porto seguro alternativo aos problemas de insegurança no Mediterrâneo, o receio do terrorismo e crise dos refugiados. Há portanto, uma forte aposta dos operadores do Norte da Europa na região. «Nos anos anteriores, não tivemos mercado com poder de compra para este tipo de produtos». Por exemplo, uma villa de luxo custa em média, três mil euros, por semana, no pico do verão. «Esta procura dá-nos a esperança de conseguirmos motivar mais proprietários a investirem nas suas propriedades, porque precisamos de elevar o standard e a qualidade da nossa oferta», explica.
Mas então, qual o motivo para preocupações? «O problema é que, com a crise que tivemos, os hotéis algarvios estavam tão desesperados que assinaram contratos com o máximo de operadores europeus que conseguiram. Isto traz, de novo, à região o problema da sobrevenda (overbooking). Quem tinha 100 quartos vagos, vendeu 300», diz esta gestora hoteleira com 25 anos de experiência.
«Lembro-me que nos bons velhos tempos, também tivemos este problema que levou ao colapso. Os hotéis não se focaram no controlo das vagas e naquilo que disponibilizaram ao mercado», um cenário que teme que se repita em 2016.
«Porque como tivemos anos tão miseráveis e agora podemos beneficiar desta nova situação, espero sinceramente que os hotéis algarvios estejam conscientes daquilo que disponibilizaram aos diferentes operadores. Espero que controlem, de facto, a oferta. Se apenas têm 15 quartos para julho e colocaram no mercado 50, é um grande risco», avisa.
Patrícia Bürer tem fontes próximas num operador suíço. «Sei que já há problemas devido à sobrevenda. Todos sabemos que a relação qualidade/preço não foi boa, nos últimos cinco anos, no Algarve. Os outros destinos, durante a crise, fizeram um esforço para atualizarem as suas ofertas e os seus produtos, para irem ao encontro das expetativas dos clientes. Aqui, isso não foi possível devido à crise. Não houve dinheiro para investir. Agora temos a oportunidade de recuperar alguns mercados, como o suíço, que praticamente desapareceu do Algarve», considera.
«Precisamos de fornecer qualidade. Nos anos de crise, estávamos muito limitados em melhorar a nossa competitividade. Agora, temos oportunidade de recuperar os mercados escandinavos, com grande poder de compra. Estes clientes esperam boa qualidade. Não apenas um bom hotel, mas um excelente serviço».
«Preocupo-me, porque virá o tempo em que estas pessoas vão viajar de novo para a Turquia, Tunísia, Grécia, e outros destinos que concorrem connosco. Os empresários lá não estão a dormir. Estão à espera da próxima temporada em que possam, de novo, receber os veraneantes. É apenas uma questão de tempo. Precisamos agora de vender tudo o que é positivo em Portugal, para que regressem. Se não o fizermos, não sei o que irá acontecer na próxima crise».
Esta gestora recomenda aos pares que «trabalhem na qualidade. Não podemos relaxar neste negócio. Temos de estar atentos ao que se passa no resto do mundo. Às vezes, sinto que os meus colegas não percebem. Parece que não lhes interessa inovar e corresponder às expectativas dos clientes de hoje», critica. Nos seus pendentes, Bürer «gostaria de fundar uma organização informal em que os gestores hoteleiros desta zona se poderiam encontrar com regularidade. Isso acontece nos Alpes suíços, onde há grupos de partilhas de ideias. Aqui, sinto que a atitude é que trabalhamos uns contra os outros, e não em conjunto. É pena, porque juntos seriamos mais fortes», conclui.
Burocracia afasta investimento estrangeiro
«A burocracia sufoca-nos todos os dias. Penso que o governo ainda não percebeu bem a importância que a indústria do turismo tem para a economia portuguesa. Todas as semanas surgem novos regulamentos cada vez mais complicados. Cada vez que vamos à Câmara, tratar de processos de alojamento local, perdemos tardes inteiras», lamentou Patrícia Bürer, diretora do resort Carvoeiro Clube. «Esta questão é um sério obstáculo ao investimento estrangeiro», considera. «Sou uma fervorosa defensora que os impostos devem ser pagos em Portugal. As novas regras são boas, previnem a fuga ao fisco. Mas devido à complicada burocracia, muitos proprietários simplesmente desistiram de alugar as suas casas. Não compreendem porque tudo é tão complicado e demora tanto tempo. Isso desmotiva-os a fazerem investimentos. É o oposto do que precisamos», lamenta.
Algarve tem se de afirmar pela qualidade
Patricia Bürer vive e trabalha há 20 anos em Portugal. «Estou convicta que o Algarve deve ser um destino de qualidade. Temos uma desvantagem em relação aos destinos clássicos do Mediterrâneo. É o oceano Atlântico, cuja água é mais fria. Portanto, temos de ter alguma mais-valia para competir no mercado de sol e praia tradicional», opina. «Temos de ser um pouco diferentes. Esta zona entre Carvoeiro, Lagoa e Ferragudo é tão autêntica, é o Algarve clássico. Sou uma fã desta área e acredito muito no futuro desta zona. Aliás, vemos isto pelo interesse, pela procura destes novos mercados e dos que estão a regressar». No entanto, esta gestora acredita que a restauração local não está a acompanhar a tendência. «Há falta de restaurantes e bares inovadores e temáticos (concept restaurants). Hoje temos uma oferta de vilas e resorts de luxo que precisam de restaurantes de topo (fine dinning). Penso que isto iria dinamizar a imagem desta zona», diz. «É claro que se esta evolução acontecer, a imobiliária está de novo a recuperar o valor. Mas para atrair investidores aqui, não basta apenas a propriedade ser bonita e moderna. Toda a oferta, em geral, tem de ser melhor para valorizar».