São profundas as implicações decorrentes da saída do Reino Unido da União Europeia para o projeto da UE, questão que vai exigir dos líderes comunitários e dos países europeu respostas que permitam salvaguardar em primeiro lugar a paz e o desenvolvimento económico do continente.
Contudo, no Algarve vão repercutir-se a curto prazo as consequências do chamado BREXIT já que o mercado britânico é o principal emissor de turistas estrangeiros da região e como tal um mercado estratégico para a sua principal atividade económica, o turismo.
Ainda há pouco tempo se falava em conjuntura favorável para o crescimento da ocupação turística, decorrente da segurança que aqui usufruímos, em contraste com outros destinos concorrentes da bacia do Mediterrâneo.
Também se refletem nos resultados do setor as alterações cambiais da libra face ao euro, alterações essas que surgiram imediatamente logo que forma conhecidos os resultados do referendo, com os mercados financeiros a reagirem de imediato, muito mais rapidamente do que as decisões políticas.
Segundo as notícias sobre esta questão, há um consenso por parte dos empresários, das suas associações e dos responsáveis do Turismo sobre as consequências negativas da saída do Reino Unido da União Europeia.
Menos consensual é a estratégia para minimizar o impacto de uma quebra de visitantes oriundos do Reino Unido, de uma diminuição do período médio de estadia (atualmente o mais prolongado) ou de uma retração no consumo, perante um eventual menor valor da libra.
O Algarve deverá reagir, agindo Enquanto uns preconizam uma aposta mais forte noutros mercados, como o francês e o alemão, outros manifestam a sua preocupação por uma perda de competitividade do Algarve perante outros concorrentes da bacia do mediterrâneo. Há ainda quem defenda uma intervenção mais forte, incisiva e permanente das autoridades nacionais e regionais visando consolidar o mercado turístico do Reino Unido.
Certo é que a partir de agora nada vai ser como dantes. Não se trata de um processo conjuntural, mas de uma mudança profunda. Pela importância que representa para a região a atividade turística, pelo impacto na economia nacional, o Algarve deverá reagir, agindo.
E para tal é necessário uma estratégia que reúna um conjunto alargado de agentes, do setor privado, institucional e político. Há que rejeitar as atitudes pessimistas, combater o conformismo, recusar as medidas parciais, em prol de um processo mais vasto e abrangente. Ninguém se pode demitir, quando em causa está o futuro do turismo.
Opinião de Rui Cristina | Presidente da Comissão Política do PSD/Loulé