Tiago Oliveira, líder da CGTP, considera que a mobilização dos trabalhadores foi decisiva para o chumbo hoje da proposta laboral do Governo.
O secretário-geral da CGTP congratulou-se hoje com o chumbo da proposta de revisão da legislação laboral, considerando que a luta dos trabalhadores foi «determinante» e avisa que o desfecho é «um sinal para o Governo».
Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, poucos minutos depois de a proposta do Governo de revisão da lei laboral ter sido rejeitada, Tiago Oliveira saudou o desfecho considerando que a luta desenvolvida ao longo dos últimos 11 meses foi «determinante».
«E hoje está provado que é a luta dos trabalhadores […] que iria determinar qualquer desfecho», enalteceu o líder da CGTP, sublinhando que os partidos «votaram condicionados pela luta dos trabalhadores».
Tiago Oliveira disse ainda que este «é um sinal para o Governo», acusando o executivo liderado por Luís Montenegro de estar «de mãos dadas com uma minoria, com os patrões» e que «legisla sempre com a perspectiva de olhar para o país como uma folha de Excel», esquecendo os trabalhadores.
«Tudo aquilo que tem sido a política seguida traduziu-se na derrota da proposta do Governo», afirmou.
O secretário-geral da CGTP referiu ainda que a Prestação Social Única (PSU) que está a ser discutida na especialidade na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão «é uma preocupação fundamental» e prometeu prosseguir com ações de luta para atingir «um rumo diferente».
A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi hoje chumbada, na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar, após o partido de André Ventura não ter alcançado um acordo com o PSD.
Após o chumbo, seguiu-se um longo aplauso de todas as bancadas à esquerda, bem como dos presentes nas galerias do hemiciclo, entre eles o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, que se mostrou visivelmente emocionado.
Findo o aplauso, o presidente do parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, alertou os deputados de que este tipo de situações «não é regimentalmente aceitável» e lamentou o sucedido, uma vez que as galerias não se podem manifestar.
O parlamento rejeitou também projetos de lei do Chega, IL, Livre, BE, PAN e JPP, visando nomeadamente os despedimentos, a parentalidade, o aumento dos dias de férias ou o trabalho noturno ou por turnos.
PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP juntaram-se nos votos contra da bancada do Chega. O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.
Luís Montenegro, que está hoje em Bruxelas, já prometeu que o Governo não irá desistir do pacote laboral, tal como o barlavento noticiou.
Foto: Bruno Filipe Pires