Visando os partidos a conquista do poder, dir-se-á como quase natural que procurem dar resposta às exigências imediatas dos eleitores, subalternizando, não raro, problemas tidos como exteriores ao universo desses mesmos eleitores e/ou tidos como só se colocando a longo prazo.
Vem isto a propósito duma matéria que ousamos trazer, novamente, à colação, depois de já a termos aqui abordado (2013-08-30) e que se prende com o aumento da população mundial.
Como, então, escrevíamos, a população mundial, nos últimos cem anos, terá quadruplicado, havendo quem preveja que, só no continente africano e até aos anos cinquenta do corrente século, a sua população venha a aumentar, pelo menos, cinquenta por cento e, paralelamente, afirme que já nos dias que correm, se cada ser humano consumisse em média aquilo que em média consome, por exemplo, um português (não se falando, pois, de cidadãos de outros países com maior poder de compra/consumo), um planeta Terra deixaria de ser suficiente para fornecer as matérias-primas necessárias a esse consumo.
Ou seja, perspetivar-se-á uma cada vez maior disputa por bens cada vez mais escassos, com todas as consequências que daí poderão advir.
Observe-se, a propósito, o que se passa com o afluxo crescente de migrantes à Europa, que procurarão não só segurança, mas, também, um modo de vida/consumo que não têm nos respetivos países de origem e a que se sentirão com igual direito, com a concorrência que poderão fazer aos naturais na candidatura a postos de trabalho que lhes permitam rendimentos destinados a esse consumo, nomeadamente num tempo em que se poderá equacionar se os postos de trabalho que possam nascer das novas tecnologias não serão inferiores aos por si eliminados, e os movimentos xenófobos que poderão daí nascer.
Em suma, vamos estar perante um mundo «selvagem» (como se hoje já o não fosse em larga medida), da lei dos mais fortes eliminando os mais fracos, ainda que com recurso a simples «muros» ou a um mundo humanamente solidário, obrigando-nos, neste último caso, a repensar as nossas vivências, o consumo que cada um de nós da Terra faz e a distribuição de bens que ela ainda nos vai fornecendo?