Cerca de metade dos 18 anos de vida do jovem portimonense Francisco Duarte foi dedicada ao surf. A sua dedicação e habilidade colocam-no na galeria dos vencedores, com um invejável palmarés. Duarte faz parte da equipa nacional que conquistou o 6º lugar no Mundial de Juniores, na Califórnia, em sub-18. De salientar que este atleta não esquece nenhum dos seus vários treinadores, a começar por aquele que lhe deu a primeira aula, e o ajudou a equilibrar-se de pé na prancha para cortar a primeira onda, aos 8 anos de idade, Gustavo Gouveia.
barlavento – Francisco, a tua vida desportiva prima por um festival de mudanças. A primeira acontece logo aos 10 anos, da Surf Future para a Playsurf. Porquê?
Francisco Duarte – Porque o Bruno Freitas da Playsurf tinha praticantes de um grupo etário mais próximo do meu e mais vocacionados para a competição. Tinha mais incentivo.
Aos 14 anos voltas a mudar de treinador?
Fui treinar com o Sérgio Brandão, porque ele treinava os melhores atletas do Algarve e alguns muito bons a nível nacional. Investi nesse sentido e vim a ganhar a Taça de Portugal.
Novamente, aos 15 anos, ingressaste na Surftechnique e mudaste a residência para Lisboa?
Já tinha alguns contactos com dois treinadores da Surftechnique, o David Raimundo, atual selecionador nacional e que acabou por me levar com ele, este ano, ao Mundial da Califórnia, e o Nuno Telmo, considerado treinador de referência a nível europeu. Eles treinam um grupo ainda mais competitivo e tentei sempre adaptar a minha evolução à vertente competitiva.
Como se sente um jovem de 15 anos na capital, longe da família?
Fui muito doloroso. Felizmente, tive a ajuda da família, porque tenho tios em Lisboa que me deram todo o apoio. No primeiro ano, fiquei na casa deles. Mas a parte emocional, numa grande cidade onde tudo é mais rápido e onde os professores exigem mais, sem os pais, e a ter de gerir a minha vida, não foi fácil. Mas sempre pensei que essa dificuldade me ajudaria a ser um melhor atleta.
Estás matriculado em Gestão de Marketing. Tens tempo para estudar e treinar a sério para estares no topo?
Neste momento, estou dedicado ao surf a 95 por cento e o restante aos estudos. Pratico cerca de 13 horas semanais, mais ginásio. Estou a fazer apenas duas cadeiras do curso. Tenho que treinar na Ericeira ou em Peniche, onde há ondas de classe mundial, mas que apresentam o problema acrescido de transportes… porque ainda não tenho carta de condução.
Oiço constantemente os atletas a queixarem-se da falta de patrocínios. Contudo, vejo-te com sete patrocinadores. Como explicas essa diferença?
No surf, sou uma empresa. Vendo-me a mim mesmo. A gestão de marketing irá ajudar-me muito a trabalhar essa parte. É necessário ter muita persistência, porque levamos muitos «nãos» na vida. Mas não devemos deixar de tentar, tal como fazemos na parte desportiva.
E o futuro?
Espero conseguir dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser feito pelos atletas portugueses, como o Tiago Pires, que abriu as portas aos surfistas portugueses no circuito mundial, o Vasco Ribeiro e o Frederico Morais, que conseguiram 3º e 5º lugares no Mundial em Peniche. Tentar chegar ao seu nível e, se possível, ultrapassar essa meta. Em suma, viver do surf.