A importância da nova estação de salva-vidas do Instituto de Socorros a Naufrágos (ISN) de Olhão pode ser espelhada na comitiva que a veio inaugurar, na manhã de quarta-feira, 26 de outubro. Além do presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, marcaram presença dois secretários de Estado, Marques Perestrelo (Defesa Nacional) e José Apolinário (Pescas), o chefe do estado-maior da Armada que é também, por inerência, comandante da Autoridade Marítima Nacional, almirante Macieira Cardoso, que veio acompanhado pelo o contra-almirante Gouveia e Melo, e pelo vice-almirante Silva Ribeiro.
As instalações foram cedidas pela Docapesca à Marinha em protocolo assinado com o Ministério de Defesa Nacional a 2 de agosto. A cooperação e a junção de sinergias entre a Câmara Municipal de Olhão, o Estabelecimento Prisional de Olhão, a DocaPesca e a Autoridade Marítima Nacional, tornaram possível a realização desta obra com um orçamento mínimo. Na cerimónia, o autarca olhanense realçou que «o forjar desta cidade é feito pelos homens do mar e da pesca. Aquilo que é mais importante, por vezes, nem é a grande obra que custa muito dinheiro. Mas é a obra que garante aquilo que é mais importante – as nossas vidas, as vidas dos nossos pescadores», disse António Miguel Pina.
António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão
O presidente da autarquia fez questão de enaltecer que esta infraestrutura «só foi possível, porque houve um agregador destas vontades, que merece o reconhecimento público», o capitão do porto de Olhão, Rui Nunes Ferreira, «e toda a sua equipa». «É de gente assim que, em Olhão, nos sentimos orgulhosos», sublinhou. O diretor do ISN, capitão de mar-e-guerra Paulo Sousa Costa lembrou que esta guarnição «tem uma missão adicional, caso único a nível nacional», que é a proteção das ilhas-barreira.
Lembrou ainda que «foi publicado o novo estatuto do pessoal tripulante das estações salva-vidas» que deixam de ter uma carreira indiferenciada, evoluindo agora para uma «reconhecida especificidade da profissão». Aliás, está em marcha um concurso para a admissão de 68 novos tripulantes até 2018. Macieira Fragoso realçou «a melhoria das condições para o exercício desta nobre atividade que contribui para a segurança daqueles que fazem do mar, a sua vida». Elogiou a cooperação de várias entidades do Estado, frisando que «a intervenção dos reclusos neste tipo de trabalhos é altamente dignificante para os próprios, assim como contribui para a reinserção social. Para nós, apraz registar o contributo que deram», já que os presidiários ajudaram nos trabalhos de pintura e adaptação do edifício às novas funções.
No uso da palavra, o secretário de Estado da Defesa Nacional, Marques Perestrelo deixou também um louvor ao capitão do porto de Olhão Rui Nunes Ferreira, responsável por «fazer possível esta importante obra que tanto beneficia a comunidade e as atividades que acontecem diariamente neste porto de pesca». O governante revelou ainda que, até ao final do ano, será instalada uma nova estação de radar em Vila Real de Santo António, para «exponenciar a capacidade de comando e controlo dos capitães do porto em caso de necessidade de intervenção, quando há um acidente ou uma emergência». Para o Algarve, está ainda prevista a criação de uma nova estação salva-vidas em Quarteira, na zona central da região, para dar resposta ao aumento de tráfego gerado pela proliferação de empresas marítimo-turísticas.
Condecorados jovens e tripulação
No dia 13 de agosto de 2016, as condições de mar eram adversas no Sotavento algarvio. Um homem de cerca de 40 anos, de nacionalidade espanhola, foi arrastado por uma corrente de retorno nas proximidades das pedras do molhe leste da barra Faro/Olhão. Ao ouvir os gritos de aflição, e apercebendo-se rapidamente do que se estava a passar, Gerson Rocha Pirklbauer pegou na prancha e atirou-se ao mar para salvar o náufrago. O colega Gonçalo Nuno Gama Jeremias, ao ver que a situação era complicada, pois a corrente estava a empurrar ambos em direção ao molhe, não pensou duas vezes e foi ajudá-lo. O banhista foi salvo, embora os nadadores-salvadores tenham chegado à praia em estado de pré-exaustão devido ao esforço. O ato valeu-lhes o reconhecimento da Autoridade Marítima Nacional, com a medalha de coragem, abnegação e humanidade, grau cobre. Além destes jovens, foram agraciados heróis mais experientes, ao serviço da estação salva-vidas de Olhão. Mereceram igual distinção, em grau prata, os tripulantes António Vareliano Picoito Rolão, Luís Filipe Fragoso Amador, Marcos Manuel Soares Arrais e Domingos Manuel Barão Serra, durante a cerimónia de inauguração das novas instalações que irão ocupar.
Os dois jovens nadadores-salvadores condecorados, Gerson Rocha Pirklbauer e Gonçalo Nuno Gama Jeremias
Missão: proteger as ilhas-barreira
A estação salva-vidas de Olhão tem à sua responsabilidade na área de busca e salvamento, o interior da Ria Formosa que vai da Ribeira de Quarteira à barra da Fuzeta. Em complemento, é responsável pela evacuação de doentes e feridos das populações dos núcleos das ilhas-barreira. Nos últimos quatro anos, os elementos desta estação salva-vidas realizaram mais de 600 evacuações a qualquer hora do dia e em qualquer tipo de condições meteo-oceanográficas. A nova estação, do tipo B, agrega meios dos salva-vidas do Farol (ilha da Culatra) e Fuzeta, agora encerrados. Tem quatro homens em permanência e três embarcações. Ficará completa com um cais flutuante para melhorar a operacionalidade, a finalizar no próximo ano.

