O Grupo Lusíadas Saúde apresentou hoje o projeto do novo hospital em Faro, num investimento de 60 milhões de euros.
A unidade está a ser construída de raiz na zona da Lejana de Baixo e deverá abrir no final de 2027. No discurso de apresentação, que telve lugar ao final da tarde, no Palácio Fialho, Vasco Antunes Pereira, presidente do Conselho de Administração e Chief Executive Officer (CEO) do Grupo Lusíadas Saúde, explicou que «com a abertura desta unidade hospitalar, pretendemos eliminar, ou reduzir para níveis muito próximos de zero, as assimetrias nos cuidados de saúde determinadas pelo código postal».
O responsável acrescentou que «não existe qualquer razão para que um português, ou um cidadão estrangeiro residente em Portugal, tenha acesso diferenciado aos cuidados de saúde em função do local onde vive».
Aposta em inteligência artificial e robótica
O novo Hospital Lusíadas Faro ocupará cerca de 8.500 metros quadrados distribuídos por cinco pisos. Terá 35 gabinetes de consulta, cinco salas de bloco operatório, 13 salas de exames, 28 quartos de internamento, unidade de cuidados intensivos, unidade de gastrenterologia, área de imagiologia e atendimento permanente para adultos e crianças.
Em pleno funcionamento, a unidade deverá realizar mais de 400 mil consultas, mais de 7.500 cirurgias e 675 mil exames de diagnóstico por ano, segundo dados divulgados pelo grupo.
Segundo Vasco Antunes Pereira, o projeto foi concebido de raiz para integrar tecnologia de ponta, e para ser capaz de incorporar upgrades à medida que novas soluções de medicina surgem no presente e no futuro.
«Vai ser um hospital nativo em inteligência artificial, vai ser nativo na robótica, vai ter os equipamentos de diagnóstico mais avançados que pode haver, de forma a permitir, de facto, nós ajudarmos as pessoas a terem vidas mais saudáveis», afirmou aos jornalistas.
Na área cirúrgica, a unidade estará equipada com sistemas de cirurgia robótica e salas híbridas que conjugam cirurgia e imagiologia avançada no mesmo espaço, o que permitirá realizar procedimentos de elevada complexidade de forma menos invasiva.
O responsável do grupo de saúde privada admitiu que existe margem para aumentar a diferenciação tecnológica da região nesta área.
«O nível de robotização que existe hoje em toda a componente cirúrgica tem, no Algarve, uma oportunidade de ser significativamente melhorado.»
Prevenção antes da cura
Ao longo da apresentação, Vasco Antunes Pereira defendeu uma mudança de paradigma nos cuidados de saúde, com maior foco na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento continuado dos doentes.
«Estamos à espera de resolver os problemas quando eles acontecem. Esse não pode ser o paradigma», afirmou.
«Temos de passar de uma saúde mais centrada na cura e no tratamento para uma saúde com muito maior foco no diagnóstico, na prevenção e nos cuidados de saúde primários. É isso que nos permitirá viver vidas mais longas e mais saudáveis», disse.
«Portugal tem uma das mais elevadas esperanças médias de vida da Europa. Mas, em simultâneo, apresenta dos níveis mais baixos de qualidade de vida na velhice.»
Segundo o gestor, «o grande objetivo deste hospital é assumir a responsabilidade de ajudar a transformar a saúde em Portugal».
Captar e reter profissionais
A capacidade de atrair médicos, enfermeiros e técnicos especializados foi outro dos temas centrais da apresentação.
A nova unidade deverá criar cerca de 500 postos de trabalho qualificado e o Grupo Lusíadas acredita que a aposta tecnológica poderá ajudar a inverter a perda de profissionais para outras regiões do país e para o estrangeiro.
«O Algarve perde talento todos os anos para outras regiões e para fora de Portugal. Com o Hospital Lusíadas Faro queremos inverter essa tendência: oferecer aos melhores profissionais um projeto clínico de referência, tecnologia de última geração e condições para crescerem aqui», afirmou Vasco Antunes Pereira.
«Os equipamentos que estamos a instalar servirão também de catalisador para captar e reter o melhor talento disponível.»
Valorizar a envolvente do hospital é «interesse mútuo»
Questionado pelo barlavento sobre a necessidade de requalificar toda a zona onde o hospital está a ser construído e a eventual necessidade de uma articulação com o município de Faro enquanto entidade gestora do território, Vasco Antunes Pereira não detalhou medidas concretas, mas admitiu existir uma convergência comum com a autarquia.
«Naturalmente, existe um interesse mútuo em valorizar toda a zona envolvente. Esse nível de entendimento e de colaboração traduz-se numa convergência de interesses para que toda a área à volta do hospital seja o mais agradável possível», afirmou.
A resposta não avançou prazos, intervenções urbanísticas ou compromissos específicos, mas confirmou que a questão faz parte das preocupações associadas ao investimento.
Quarta unidade no Algarve
O Grupo Lusíadas Saúde está presente no Algarve desde 2000 e presta atualmente cuidados a cerca de 300 mil pessoas entre residentes e turistas.
O Hospital Lusíadas Faro será a quarta unidade do grupo na região. A nova unidade junta-se ao Hospital Lusíadas Albufeira, ao Hospital Lusíadas Vilamoura e à Clínica Lusíadas Faro.
Apesar da dimensão da obra, Vasco Antunes Pereira considerou que a construção do edifício representa apenas uma parte do desafio.
«Essa parte é da nossa responsabilidade. Diria até que, no contexto do desafio que temos pela frente, essa é a parte mais simples».
E acrescentou que a nova unidade hospitalar terá de ser operada «com a qualidade que todos os algarvios e todos os residentes no Algarve merecem».
«É precisamente aí que reside a nossa responsabilidade e o nosso compromisso», concluiu.
O projeto foi apresentado na presença do presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina, do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, José Apolinário, da diretora da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade do Algarve, Inês Araújo, da vogal executiva da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, Ana Marreiros, e de representantes do tecido empresarial, associativo e da sociedade civil da região.