Já é possível inscrever-se para visitar o Museu da Cortiça, que reabre a 11 de julho, informou hoje a Carvoeiro Branco.
O Museu da Cortiça vai reabrir ao público na histórica Fábrica do Inglês, em Silves, encerrando um hiato de 16 anos e devolvendo à cidade um dos mais importantes museus industriais da Europa.
A abertura está marcada para sábado, dia 11 de julho, e assinala o regresso de um espaço que preserva uma rara linha de produção corticeira praticamente intacta desde os finais do século XIX.
A participação no dia aberto requer inscrição prévia online e está sujeita à disponibilidade de lugares.
«Devolver este museu a Silves é devolver à cidade uma parte de si mesma. A Fábrica do Inglês nunca foi apenas uma fábrica — foi o lugar onde gerações trabalharam, construíram e pertenceram», afirma Elsa Lopes, diretora do Museu da Cortiça.
A reabertura integra o projeto de recuperação do complexo conduzido pela promotora imobiliária Carvoeiro Branco.
A inauguração decorrerá entre as 18h00 e as 21h00 e incluirá o espetáculo «Ressonâncias — Concerto para contrabaixo e poesia contemporânea», com Cristina Calvino e Zé Eduardo.
O projeto cruza poesia contemporânea portuguesa com composições originais para contrabaixo, a partir de textos de autores como João Luís Barreto Guimarães, Andreia C. Faria, Cláudia R. Sampaio, Nuno Júdice e Herberto Helder.
A criação e interpretação estão a cargo de Cristina Calvino, enquanto Zé Eduardo assina a composição musical e interpretação em contrabaixo.
A nova identidade visual e o website do Museu da Cortiça foram desenvolvidos pelo artista Davi Kampu5, que reinterpretou o antigo logótipo do museu através de uma linguagem contemporânea.
Segundo a Carvoeiro Branco, a opção pretende afirmar o museu como um espaço cultural vivo, capaz de ligar património industrial e criação artística contemporânea.
O Museu da Cortiça é considerado um caso singular no panorama museológico europeu por conservar uma linha de produção industrial praticamente intacta, testemunhando a importância histórica da indústria corticeira no Algarve e em Portugal.
A Fábrica do Inglês foi durante décadas uma das maiores empregadoras de Silves e um dos símbolos da importância da indústria da cortiça na economia algarvia. A reabertura do museu representa, por isso, não apenas a recuperação de um equipamento cultural, mas também a valorização de uma parte significativa da memória industrial da região.
Fundada em 1894 pela empresa Avern, Sons & Barris, a Fábrica do Inglês tornou-se ao longo de mais de um século um dos principais motores económicos e sociais de Silves. Em 1918, sob a direção de Victor Sadler, o complexo consolidou-se como uma das maiores unidades corticeiras do país.
O museu abriu portas em 1999 e recebeu em 2001 o Prémio Luigi Micheletti, distinção atribuída ao melhor museu industrial da Europa. Nesse mesmo ano ultrapassou os 100 mil visitantes.
Problemas de insolvência levaram ao encerramento do museu e da Fábrica do Inglês em 2009.
Agora, 16 anos depois, o espaço prepara-se para voltar a receber visitantes.