«Nasci em Loulé, mas acontece que acabei por conhecer muito mal o Algarve ao longo da minha vida. Devido a este projeto, conheci a região de uma forma que nunca imaginei. Fizemos mais de 5 mil quilómetros e 3 mil fotografias», explicou Nuno Augusto, um dos autores, durante a apresentação oficial do livro «Algarve visto do ar», na sexta-feira, 30 de setembro, no Hotel Real Marina, em Olhão.
Em termos editoriais, a ideia já não é nova, mas isso não desmotivou os autores da independente «Flying Book House». «O Algarve visto do céu foi um livro feito há cerca de 15 anos, teve a sua importância, mas já não representa o que região é hoje. Embora tivesse sido feito a partir de um avião, não tem uma diferença de escalas em relação ao que conseguimos agora fazer com recurso a um drone. Este aparelho possibilita-nos fotografar a 10 metros de altitude e, no mesmo plano, subir até aos 100 metros, o que nos dá mais e diferentes opções de imagem no mesmo voo», explicou ao «barlavento» David Santos, 38 anos, operador de câmara e especialista em vídeo.
Numa altura em que os drones já são uma tecnologia banalizada e até controversa, não é demasiado tarde para uma edição deste género? «Bem, a verdade é que não surgiu nenhuma outra antes desta. Tanto quanto sabemos, este é o primeiro livro de fotografias aéreas em Portugal feitas com drone. Portanto, achamos que chegou no momento certo», considerou Nuno Augusto, 43 anos, fotógrafo formado em química orgânica.
«Podemos escrever o nome de qualquer localidade, pelo menos das mais turísticas do Algarve, num motor de busca na internet e encontrar vídeos e imagens aéreas. Só que está tudo disperso. Entramos no youtube, por exemplo, e vemos imagens que não estão editadas. A maioria está em bruto. Têm a mais-valia de dar a conhecer determinado local, mas nunca tinha sido feita uma recolha com esta finalidade e acaba por ser interessante disponibilizá-la em suporte físico a qualquer pessoa», acrescentou o co-autor David Santos.
O drone utilizado percorreu cerca de 400 quilómetros no ar, o que resulta num investimento total, incluindo a impressão dos primeiros 5 mil exemplares do livro, «entre despesas, horas de trabalho e a conceção do design, que rondará os 25 mil euros», estimaram.
O louletano Nuno Augusto esteve aos comandos na maioria dos trabalhos. «Fizemos 250 voos com zero problemas. Foi impressionante. Claro que nalguns locais, tivemos dificuldades, como por exemplo na Fortaleza de Sagres, por causa dos benditos ventos, na ordem dos 50 quilómetros por hora, com rajadas, um desafio».
A obra está disponível em 70 pontos de venda, desde o Cabo de São Vicente até Vila Real de Santo António. «Até março, queremos chegar aos 150, porque achamos que, cada vez mais, o turista que vem, por exemplo, a Lagos, pode conhecer os concelhos do outro lado do Algarve. Quem vem à procura do litoral, pode também ficar com uma ideia do que é o interior e a serra. E acho que o livro pode ajudar nesta promoção do território no seu todo», finalizou David Santos.
Também presente no lançamento, Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), enalteceu a «novidade» de todos os municípios terem participado no livro. «Isso é um sinal que os autarcas já vão percebendo a importância dessa interligação, porque o turista quando chega ao Algarve não sabe onde começa o concelho de Olhão e onde acaba o de Tavira», disse.
«Um livro como este, tendo os concelhos de uma forma global vistos do ar, dá um sentido prático à região. Até pode dá-la a conhecer a muitos algarvios, que não conhecem» a sua terra. «É importante sensibilizá-los para isso», conclui. A RTA adquiriu 200 exemplares para oferta e disponibilizou os 21 postos de informação turística, enquanto ponto de venda.
Editora portuguesa nascida em Cabo Verde
«Procuramos fazer projetos que marquem a diferença e que tragam valor acrescentado para a promoção do local que estamos a retratar», explicou David Santos. O Algarve é a primeira região do país em que a «Flying Book House» trabalha.
«Começamos estes projetos, um pouco devido ao estado do panorama editorial em Portugal. Estávamos em Cabo Verde a fazer um documentário e surgiu-nos a ideia de fazer um livro de fotografias sobre aquele país africano. Na altura, batemos à porta de várias editoras. As respostas foram sempre negativas» devido aos custos. «Percebemos que ou faríamos nós uma edição de autor, ou não conseguiríamos publicar o nosso primeiro livro», que acabou por ser adotado oficialmente pelo governo caboverdiano. Até o Papa Francisco tem uma cópia de «Cabo Verde – um mundo a descobrir», confidenciou ao «barlavento».
Seguiu-se a edição de um livro de fotos aéreas do país e duas foto-biografias de músicos caboverdianos, «Tito Paris – Alma de Artista» e «Voz de Cabo Verde – A história de um Povo». «Depois, surgiu a ideia de, aqui no Algarve, onde venho desde há muitos anos por motivos profissionais e também de férias, avançar com esta edição». Todos os 16 concelhos apoiaram a obra, sugerindo locais interessantes e dignos de registo.
«Desde a primeira reunião, a RTA deu-nos o contributo de identificar este projeto como essencial para a promoção da região, o que muito nos ajudou nos contactos com as autarquias», disse David Santos. A ATA também suportou, os hotéis Real (Sotavento) e hotéis Luna (Barlavento) apoiaram com o alojamento.

