O deputado municipal Alexandre Pereira reagiu à entrevista do candidato do PS à Câmara Municipal de Olhão, criticando «a ausência de respostas concretas e a repetição de promessas».
«Quem esperava uma visão renovada para o concelho encontrou, mais uma vez, respostas vagas, ausência de estratégia e um discurso reciclado. O PS governa Olhão há quase 50 anos e continua a prometer que agora é que vai ser. Mas se podia ter feito mais e melhor, porque nunca o fez? De quatro em quatro anos, a conversa repete-se, mas os problemas agravam-se», diz o deputado municipal, em reação à recente entrevista a Ricardo Calé publicada pelo barlavento.
Habitação inacessível e especulação imobiliária
Em nota enviada ao nosso jornal, o deputado municipal destaca que o preço das casas em Olhão «atinge máximos históricos, tornando a aquisição ou arrendamento de habitação digna e acessível cada vez mais difícil para os residentes. «A cidade tem sido entregue à especulação imobiliária, forçando os olhanenses a procurarem casa na periferia ou em concelhos vizinhos».
Como solução, defende «a criação de um Programa Municipal de Arrendamento Acessível, promovendo a reabilitação de edifícios devolutos e garantindo habitação a custos controlados nos novos empreendimentos».
O «futuro incerto» do Porto de Pesca e dos pescadores
Na entrevista, Ricardo Calé, candidato do PS, referiu a importância dos pescadores, mas, segundo Alexandre Pereira, «não apresentou planos concretos para o Porto de Pesca, essencial para a economia local». Por outro lado, «a frente ribeirinha está a ser convertida em marinas e empreendimentos de luxo, mas o que será feito do Porto de Pesca e das centenas de embarcações que lá operam?», questiona.
O deputado defende ainda «a modernização das condições de trabalho dos pescadores, a proteção ativa da Ria Formosa contra a poluição e a implementação de um Plano de Gestão da Carga Turística e de Embarcações para garantir a sustentabilidade ambiental», tal como já foi noticiado.
Mobilidade e estacionamento: um «caos crescente»
Alexandre Pereira alerta para o agravamento dos problemas de mobilidade, sobretudo no verão, e para a perda de 800 lugares de estacionamento devido à operação BelaOlhão. «O que propõe o PS? Nada!», critica.
Entre as soluções que defende, Pereira sugere «a criação de um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, com transportes públicos mais eficientes, estacionamento periférico e mais percursos pedonais e ciclovias, além da construção de um Parque de Feiras e Exposições que possa servir também como estacionamento».
Parque Urbano
Alexandre Pereira diz que a oposição continua sem acesso ao projeto do Parque Urbano que está a nascer frente à Ria Formosa. «Solicitámos uma reunião urgente com a Câmara em outubro de 2024 para conhecer os detalhes e o impacto ambiental. Passaram cinco meses e não obtivemos qualquer resposta», denuncia.
O deputado propõe que aquele espaço «seja um verdadeiro espaço verde, com zonas arborizadas e de lazer, e não apenas mais uma obra de betão disfarçada de parque».
Canil/Gatil e Bombeiros: «promessas adiadas»
Alexandre Pereira acusa o PS de fugir às perguntas sobre o quartel dos Bombeiros e o Canil/Gatil municipal. «O quartel continua num estado precário e o novo CROA enfrenta sucessivos adiamentos. Solicitámos informações sobre o projeto em julho de 2024, mas a Câmara continua sem responder», denuncia.
O deputado defende a conclusão imediata do Canil/Gatil, mais apoio a associações e cuidadoras de colónias de animais e a construção urgente do novo quartel dos Bombeiros.
«Falta de transparência» e necessidade de mudança
Por fim, Alexandre Pereira critica o que considera ser uma governação sem diálogo e sem transparência. «O PS governa Olhão com sucessivas maiorias absolutas, ignorando a oposição e tratando a Assembleia Municipal como um mero carimbo das suas decisões», afirma. Por isso defende a transmissão online das reuniões de Assembleias Municipal e de Freguesia, a criação de um Orçamento Participativo e a garantia de maior representatividade política.
«Olhão precisa de mudança, não de mais do mesmo!», conclui a nota.