Reabilitação da zona Poente de Olhão arranca com duas intervenções que vão dotar a cidade de novos espaços de fruição à beira da Ria Formosa.
Já estão a decorrer, em simultâneo, duas obras de uma empreitada, num valor de 1,5 milhões, com fundos do município, que vão criar uma nova zona de fruição à beira da Ria Formosa e um parque urbano. A intervenção deverá estar concluída no prazo máximo de 12 meses, ou seja, até julho de 2025.
Com as salinas como pano de fundo, uma enorme variedade de espécies de avifauna que migram conforme as estações do ano, e uma luz e pôr do sol únicos no Algarve, a zona poente de Olhão promete vir a ser, em breve, um cenário «ideal para quem aprecia uma boa experiência junto à natureza».
«Este é o último troço de um plano maior de requalificação de diferentes frentes ribeirinhas de Olhão, que terá três fases, duas das quais já em marcha», começa por explicar António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão.
A primeira fase é a das Tapadas, «projeto apelidado de praias urbanas, mas que, infelizmente não vamos conseguir fazer o projeto original porque o ICNF não autoriza que transformemos aquelas zonas lodosas em zonas de fruição de areia. Mas ainda assim, ficará um espaço muito mais acessível, limpo e agradável», que resulta da recuperação de uma antiga piscicultura.

A segunda fase «também já começou e é aquilo a que chamamos o Parque Urbano Poente de Olhão, que começará junto às Tapadas», revela. «Esta zona será mais um jardim, com árvores, e serve até para fazer uma barreira ecológica ao aumento das temperaturas» no perímetro periurbano.
Em relação à rega, numa altura em que o Algarve se debate com problemas de disponibilidade hídrica, o autarca explica que «aquele projeto, tal como os jardins da zona ribeirinha, tem por base a disponibilização de água reciclada por parte da Águas do Algarve».
Além disto, «está também em fase o projeto da terceira fase, que será a requalificação da Avenida 5 de Outubro, entre a rotunda do cavalo-marinho até à EN125, uma variante quando foi construía na década de 1980. No futuro breve, será uma avenida, com duas faixas de rodagem, ciclável passeios e zona central», prevê António Miguel Pina.
Para já, as duas intervenções urbanas arrancam apenas com fundos do município. A obra das Tapadas está orçada em 560 mil euros e o parque urbano adjacente em cerca de 960 mil euros, estima o autarca.
Com a desativação da antiga ETAR a poente, as Tapadas serão, em breve, um cartão de visita e uma entrada na paisagem ribeirinha olhanense que, além de um rede de percursos pedonais, terá ligação ciclável a Faro, assim que o município vizinho der seguimento ao projeto.
Questionado sobre as oficinas do município, o autarca socialista prevê que sejam desativadas em breve, até porque no início do próximo ano será inaugurado o novo canil. Os serviços de limpeza da Ambiolhão serão transferidos para novas instalações num terreno adquirido pelo município junto à zona industrial de Marim, onde ficará também o futuro no quartel de bombeiros.
Ouvido pelo barlavento, Ricardo Calé, vereador com o pelouro das Obras Públicas, refere que «quando passeamos junto à Ria Formosa e olhamos para Olhão, temos gosto naquilo que vemos. No passado recente, numa altura em que os investidores começaram a olhar para Olhão, já tínhamos mecanismos de proteção do nosso território. Quem quiser construir não pode fazer grandes paredões e isso protege a nossa traça cubista».
«É muito interessante ver que as câmaras, apesar da responsabilidade que têm na gestão do território, precisam de vários pareceres de entidades diferentes com jurisdição neste território, quando o que está em causa é um novo nível de qualidade à cidade, à população a todos os que nos visitam», conclui.
Este espaço público permitirá a observação de aves (birdwatching), o acolhimento de ecoeventos, iniciativas de educação ambiental e de turismo de natureza, junto à Ria Formosa.

