Águas do Algarve procura novos usos paras as lamas desidratadas do tratamento de água para consumo humano usadas na produção de cimento, com o projeto CIRCULamETA.
A Águas do Algarve encaminha cerca de 5.000 toneladas de lamas desidratadas do tratamento de água para consumo humano das suas Estações de Tratamento de Água (ETA), para valorização no Centro de Produção de Loulé (CPL) da Cimpor, incorporando essa matéria-prima na produção de cimento, algo que acontece desde 2004 até ao presente.
No entanto, a empresa pretende agora «desenvolver mais ações no sentido de viabilizar soluções alternativas e/ou complementares à atual valorização das lamas de ETA, que garantam o encaminhamento da totalidade das lamas produzidas anualmente e armazenadas, e ponderando a sustentabilidade das opções privilegiando a valorização na região, através da incorporação noutras indústrias».
Assim diz hoje a empresa, «surge a necessidade de avaliar outras soluções regionais alternativas à atual», contempladas no âmbito do acordo de colaboração específico IRCULamETA, celebrado com duas entidades de I&D, nomeadamente com o Instituto Superior de Engenharia (ISE) da Universidade do Algarve (UAlg) e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade (Itecons).
Este acordo visa estudar novas soluções regionais para a aplicação das lamas de ETA em outras indústrias e campos de aplicação, como compósitos cimentícios e aplicações geotécnicas. O projeto, com um orçamento de 21 485,00 EUR, terá a duração de 9 meses a partir de setembro de 2024.
Ao longo deste período, o projeto CIRCULamETA ambiciona contribuir para uma maior integração das lamas de ETA na economia circular, procurando soluções que valorizem este subproduto e promovam a sustentabilidade regional.
O projeto segue o compromisso de Sustentabilidade do Grupo Águas de Portugal (AdP) que define como ambição acelerar a economia circular da água através de uma gestão do ciclo da água em equilíbrio com a natureza, garantindo a transição para a economia circular e atendendo ao objetivo de valorizar os resíduos produzidos enquanto subprodutos.
Em entrevista ao barlavento, António Tadeu, presidente da direção do Itecons e professor universitário, já tinha manifestado vontade de colaborar com a Águas do Algarve para resolver a questão dos resíduos resultantes da futura Central de Dessalinização do Algarve.
Fotos: Bruno Filipe Pires
