Mais moderno, mais eficiente, mais bonito e mais capaz de oferecer um serviço de qualidade. Desde as 4 horas de segunda-feira, 17 de julho, que está aberto o novo terminal do Aeroporto Internacional de Faro. Durante a manhã, houve brindes e flores para os passageiros, que na azáfama entre o chegar e o partir, nem repararam na cerimónia de inauguração com a presença do primeiro-ministro de Portugal António Costa. O que muda? «Falta apenas completar os espaços comerciais. Tudo o que são as funções básicas e estruturais deste projeto estão todas concluídas», explicou Alberto Mota Borges, diretor do Aeroporto de Faro, aos jornalistas.
No primeiro piso do terminal, funciona uma nova zona alocada ao controlo de segurança. Na prática, cresceu de 700 metros quadrados para cerca de 2000, «ou seja, triplicámos a área. Tínhamos 11 posições de controlo e agora podemos ter até 17», e acabando assim com os constrangimentos nos fluxos de passageiros. «Toda esta área vai levar equipamentos automáticos de última geração, que serão instalados em agosto», revelou. «Haverá também uma reserva para aumentar o processamento para os 3000 passageiros por hora».
Questionado sobre se os agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) são suficientes, Alberto Mota Borges prefere sublinhar a boa relação com esta entidade. «Temos tido uma colaboração eficiente, com tempos de performance extraordinários. Eles fizeram uma locação de recursos adequados ao perfil de tipos de procura que temos», elogiou.
Por outro lado, apesar de o projeto de remodelação agora concluído ter sido pensado há alguns anos atrás, Alberto Mota Borges crê que mantém a atualidade. «Afirmativo. Por exemplo, o lado ar tem uma capacidade de 30 voos por hora. Lisboa tem 38. Ou seja, a nossa configuração é a adequada. Não vamos ter dificuldades nos próximos anos», prevê.
Passo seguinte é atrair mais voos durante todo o ano
«Isto é apenas o princípio. Neste momento, temos que fazer muito mais. Temos que atrair mais companhias aéreas e criar mais rotas. Temos de tirar ainda mais partido daquilo que o novo aeroporto nos permite ter. Em particular, diminuir a sazonalidade que ainda se verifica nesta região», disse Carlos Lacerda, presidente executivo da ANA – Aeroportos de Portugal, o primeiro a abrir os discursos oficiais. «Esta é uma infraestrutura que representa um papel fundamental no desenvolvimento económico da região do Algarve e de Portugal. O projeto de ampliação e remodelação da aerogare demonstra uma preocupação em assegurar cada vez melhores condições para as pessoas que visitam o país, e dar um melhor serviço a todas as companhias aéreas e parceiros dentro desta indústria. O investimento total nesta segunda fase da empreitada foram cerca de 3,8 milhões de euros, e no total, com alguns serviços adicionais, chegámos praticamente aos 40 milhões de euros. O que melhorou? Aumentámos a capacidade da pista, hoje conseguimos processar 30 movimentos por hora, ao contrário do passado, que eram 24. Hoje, dentro do terminal conseguimos processar mais de 3000 passageiros por hora, em vez dos 2400. Temos mais áreas operacionais. Passámos de 81 mil metros quadrados para 93 mil metros quadrados e ampliamos todas as áreas de restauração que não eram mexidas desde o ano 2000. Criámos também novos acessos rodoviários e reabilitámos alguns que já existiam», explicou. Carlos Lacerda frisou que estas intervenções foram feitas «com o aeroporto a crescer, no mínimo, 18 por cento ao ano. Aconteceu em 2016 com um crescimento de 18,5 por cento e acontece também este ano com um valor na mesma ordem de grandeza».
Faro é exemplo do modelo da concessão VINCI
O CEO da VINCI Concessions e Presidente da VINCI Airports, Nicolas Notebaert anunciou que este «é mais um passo na nossa estratégia de investimento nos aeroportos portugueses. Faro é maior operação que lançámos e completámos desde o take-over da ANA em setembro de 2013. É também o melhor exemplo do modelo da nossa concessão, em criar as melhores condições para o futuro crescimento. Em 2016, o Aeroporto de Faro foi o que cresceu mais rápido em Portugal: 18,5 por cento, o que significa 7,6 milhões de passageiros.
Este tem sido um destino popular para os ingleses, alemães e holandeses. Agora estamos muito orgulhosos que também os franceses estão a descobrir a magia do Algarve. Claro que para este aeroporto continuar a crescer era preciso investir. Precisava de ser modernizado. A zona de restauração e comércio precisava de ser renovada para poder acompanhar o que de melhor se faz na aviação no resto da Europa. Foi o que fizemos», frisou.
«O objetivo agora é trabalhar para reduzir a sazonalidade. Estamos a investir em todos os aeroportos portugueses para que possamos continuar a ser um parceiro de referência da economia nacional. Em 2016, o tráfego cresceu 40,2 por cento no país. Este ano já cresceu 20 por cento. Isto só pode ser sustentável se podermos receber mais passageiros. Em 2017 teremos investido 70 milhões de euros. Depois desta grande intervenção em Faro e na zona comercial da Madeira, vamos avançar para Lisboa e Porto. E também no Montijo, onde iremos investir valores ainda mais elevados nos próximos anos», anunciou Nicolas Notebaert. «Em 2017 mais de 70 companhias aéreas estarão presentes em Portugal. Chegaremos a mais de 200 rotas no mundo» disse o CEO francês que se considera «alinhado com a prioridade do governo em criar novos empregos».
Pedro Marques otimista
Também o ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques discursou, com o otimismo que os algarvios já conhecem. «Este aeroporto fica preparado para suportar um crescimento que se espera na ordem dos 50 por cento, nos próximos seis a sete anos do turismo aqui na região. Estimando nós que esse crescimento possa acarretar mais cerca de um milhão e meio de turistas estrangeiros transportados neste aeroporto. Se assim for como esperamos, isto significa para a região e para o país, mais 600 milhões de euros por ano em exportações. E significa também uma perspetiva de aumento de 8000 postos de trabalho diretos e indiretos, na região do Algarve. Isto é a todos os títulos muito significativo. E essas condições ficam hoje criadas». O governante disse ainda que é preciso «contribuir para esbater a sazonalidade com ações concretas. O Algarve está a deixar de ser um destino apenas de sol, praia ou golfe. É um destino agora com múltiplos atrativos, com uma oferta de turismo de natureza e património cultural».
Sucesso do turismo não é «conjuntural» diz António Costa
No encerramento da cerimónia, António Costa anunciou que o turismo representa oito por cento do emprego nacional. «Às vezes ouço dizer que o crescimento do turismo em Portugal é um factor conjuntural. E que se deve sobretudo à existência de problemas em outras regiões do mundo. Felizmente para nós, esta afirmação não corresponde à realidade. Porque aquilo que temos verificado é um maior crescimento nas regiões em que a oferta não é tradicionalmente assente no sol e praia. As zonas urbanas e o turismo de natureza têm sido o maior motor. Se olharmos para o que aconteceu em 2016, dois terços do crescimento do nosso turismo foi feito na época baixa. Mesmo nos destinos como o Algarve. E se olharmos para o que está a acontecer em 2017, entre janeiro e maio, aquilo que verificamos é um crescimento a nível nacional de 20 por cento. As dormidas aumentaram 10,4 por cento. E também aqui no Algarve, a verdade é que neste período as dormidas já cresceram 9,5 por cento», frisou.
Ainda no uso da palavra, António Costa piscou o olho ao programa «365 Algarve». «Sabemos bem que investindo no património e na oferta cultural, ajudamos o Algarve também a ter turismo ao longo de todo o ano». Ainda de acordo com o primeiro-ministro socialista, em 2016 houve a registar mais 66 novas operações aeroportuárias, «um aumento de 20 por cento no número de passageiros que tiveram Portugal como destino. Este ano só aqui no Algarve tivemos um aumento de 15 novas operações aéreas e um aumento de 18,5 por cento nos passageiros transportados entre janeiro e maio», contabilizou. «Este é um dia de festa, mas é um dia que nos permitirá festejar muitos mais nos próximos anos. É um dia que contribuirá para criar melhores condições para que o Algarve continue a crescer», concluiu.




