«Há muitos anos que se falava que as Quatro Águas mereciam um outro enquadramento e uma reabilitação urbana. O que aconteceu aqui foi uma reabilitação do território, porque esta zona, ou parte dela, estava a desaparecer por força da pressão dos carros e por força do mau uso», sublinhou Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, na passada quarta-feira, 20 de julho.
No entanto, ainda há mais a fazer. Jorge Botelho chamou a atenção do ministro do Ambiente para «os dois cais que requerem reabilitação. Tanto o das Quatro Águas, como o da ilha de Tavira requerem manutenção urgente».
Além disso, «estamos interessados em conversar com a tutela para mapear um conjunto de ideias que temos para colocar estruturas náuticas aqui e noutros pontos do rio» Gilão, de modo a desenvolver a náutica desportiva e de recreio. Falando em nome pessoal e também pelos municípios do Algarve, Botelho manifestou grande interesse «em protocolar com o governo, a gestão das frentes ribeirinhas não-portuárias».
«Tudo o resto, as praias, as zonas comerciais ribeirinhas, achamos que poderíamos desempenhar um muito melhor papel gerindo estes territórios, cumprindo a lei que existe. Trabalhava-se com menos burocracia, com menos questões, até com muito mais paz social e acima de tudo sem conflitos institucionais», propôs.
O edil pediu ainda ao ministro «uma sensibilização urgente», isto é, «que não se passassem muitos anos sem haver limpeza e desassoreamento dos canais. Esta zona é de grande intensidade de entrada e saída de águas. Assoreia com facilidade e já estamos a precisar de dragagens outra vez. Estes canais têm de ser navegáveis, senão tudo isto deixa de funcionar», avisou.
Lembrou ao governante que quando ele «disse que sim ao prolongamento da Sociedade Polis, uma das ideias que tinha era que o dinheiro que ainda havia devia ser aproveitado sem delongas», sugeriu na última palavra.
João Matos Fernandes, por seu turno, revelou que há cerca de «175 milhões de euros para investir na costa portuguesa nos próximos quatro anos. 50 a 70 milhões estão já comprometidos. São exemplo, a abertura das Barras da Fuzeta e da Armona. Estamos em fase de fazer candidaturas ao aviso de setembro, sendo um investimento que ronda os dois milhões de euros e que estará concluído antes da próxima época balnear», garantiu.
A intervenção nas Quatro Águas criou um espaço nobre de lazer e recuperou as margens erodidas por ação das águas do rio Gilão e do nível das marés da Ria Formosa. Abrange o acesso viário desde a zona do futuro Porto de Pesca de Tavira até ao cais de embarque para a ilha de Tavira.
A intervenção teve um custo total de 2,9 milhões de euros. Incluiu a execução do projeto, da empreitada e fiscalização e foi financiada com recurso a capitais da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa e a fundos comunitários (parcial). A arquiteta paisagista Ana Paula Carvalho, assinou o projeto, ficando a execução da empreitada a cargo da empresa Vibeiras.
Ministro oferece água aos manifestantes
Talvez para não estragar o ambiente da inauguração das obras de requalificação das Quatro Águas de Tavira, o ministro do Ambiente João Matos Fernandes surpreendeu os presentes ao tomar a iniciativa de oferecer água fresca aos manifestantes que o esperavam para protestar contra a prospeção e exploração de hidrocarbonetos no Algarve, numa tarde abrasadora.
Já aos jornalistas, o governante sublinhou que «quem está a gerir este dossier é o ministério da Economia. Existem contratos assinados que terão de ser avaliados e preferencialmente respeitados se estiverem dentro da legalidade. É isso que as pessoas também esperam do governo português».
No entanto, «do ponto de vista ambiental, é impensável que possa existir exploração sem haver uma avaliação cuidada. Neste momento, não existe nada que possa preocupar ninguém em concreto. Há uma separação das licenças em terra que parecem ter um conjunto de vícios que determinarão a impossibilidade de continuarem, daquilo que são os projetos no mar», disse João Matos Fernandes.
«Nunca o governo vai deixar fazer, em momento algum, algo que possa perturbar os valores ambientais fantásticos que o Algarve tem», garantiu.
Contestação ao POC Odeceixe – Vilamoura
Questionado sobre as críticas à recém-apresentada proposta para o Programa da Orla Costeira Odeceixe-Vilamoura, o ministro do Ambiente João Matos Fernandes disse que «tem de haver um período de ponderação sobre as diversas opiniões, para encontrarmos uma posição que defenda intransigentemente os interesses do litoral, e que dentro do possível, acomode as diversa opiniões expressas em consulta pública, sendo que o primeiro valor é absolutamente inalienável. As críticas que ouvi vão no sentido do plano ser demasiado restritivo», respondeu.
Pedras D’el Rei e Santa Luzia
Na marginal entre Pedras D’el Rei e Santa Luzia, foi colocado novo mobiliário urbano, apoios para colocação de bicicletas, ecopontos e papeleiras. Foi plantada uma nova vegetação e criado um troço de ciclovia. A empreitada teve um custo total de setecentos mil euros, com capitais da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa e financiamento comunitário do QREN. O projeto de execução foi elaborado pela empresa Land Design e a empreitada foi adjudicada à empresa Vibeiras.