Recordo o dia em que escrevi no facebook que Pedro Passos Coelho seria recordado em Portugal como um grande estadista. As eleições do passado domingo confirmam-no. Não por ter sido o vencedor das eleições legislativas, mas porque foi com a realidade que ele venceu as eleições.
E isso faz toda a diferença, pela força da dimensão transformadora que acarreta. O discurso dos políticos não pode continuar a ser o mesmo. Com meias palavras e meias verdades.
Ou existe a frontalidade de colocar a realidade à frente do nevoeiro que alimenta alguns egos ou a descrença das pessoas continuará a aumentar. A realidade foi o fio condutor que nos trouxe até aqui.
Uma realidade que mostra como o Algarve foi a região que passou da mais alta taxa de desemprego para a mais baixa, uma realidade que mostra uma rede social forte que foi capaz de aguentar os picos da crise, uma realidade que mostra muita gente jovem a apostar em novos negócios.
Na agricultura, são cinco vezes mais do que eram há apenas quatro anos. No mar, há gente a exportar para o Japão. Estas são as realidades e estas realidades levaram a Coligação Portugal à Frente a ganhar as eleições em Portugal.
Mas existem mais realidades. Aquelas que fizeram com que muitas pessoas tenham passado e ainda passem por dificuldades. Essas realidades devem ser o alvo principal das nossas políticas públicas, procurando diminuir substancialmente as desigualdades.
A Coligação Portugal à Frente afirmou repetidamente o quão fundamental é para o Algarve que o país tenha as contas públicas em dia.
Por analogia, dizíamos que, quando Portugal se constipa, o Algarve apanha uma pneumonia. Esse fator é fundamental para o Algarve ter crescimento económico, gerado por mais e melhores empresas, capazes de gerar também mais e melhor emprego.
É esse o caminho que temos vindo a fazer e que o resultado eleitoral reforça como o rumo a seguir.
No Algarve, a Coligação Portugal à Frente e o Partido Socialista tiveram um resultado muito próximo.
Pouco mais de um por cento separam as duas forças políticas. Apesar dos ziguezagues socialistas, que nos levam muitas vezes a duvidar do seu real posicionamento político, este resultado mostra que os algarvios procuram forças políticas moderadas em detrimento de partidos de protesto.
Importa ainda referenciar um dado fundamental que estranhamente tem ficado de fora da análise política.
A abstenção no Algarve aumentou. Dos 370 mil inscritos para votar, apenas 190 mil o fizeram.
Cerca de metade das pessoas não foram votar. Menos seis por cento do que no país. É um dado que nos deve preocupar.
A resposta a dar, a meu ver, será de novo, a realidade.
Só colocando a realidade no discurso político, as coisas como elas são, e as diferentes soluções que cada um defende, só assim me parece possível motivar as pessoas para a necessidade de terem uma maior intervenção pública. Iniciamos um novo ciclo político.
Sem maioria absoluta, exige-se ao novo governo uma maior capacidade para gerar entendimentos. Exigência igual para a oposição parlamentar.
Que em ambos os casos saibam gerar consensos positivos para o Algarve.
Opinião de Bruno Inácio | Deputado na Assembleia da República pelo PSD no mandato 2011-2015