Despertou o interesse de alguns clubes grandes e vai rumar a Braga no próximo mês. Em entrevista, o «barlavento» encontrou um jovem calmo, atento, analisando cada pergunta como quem analisa uma jogada adversária.
Começou aos oito anos, no Odiáxere, como defesa. «Mas não gostava daquela posição. Decidi experimentar a guarda-redes, gostei, aprendi e continuei». Porquê o Odiáxere e não o Portimonense, clube local e de maior projeção? «Acho que não necessitamos de começar por cima. É melhor iniciar por baixo e ir crescendo. Gostei muito de lá estar, do companheirismo e da amizade existentes, com treinadores espetaculares. Fiquei lá três épocas», sublinha.
Depois, esteve duas épocas no Lagoa, passou pelo Portimonense e pela Escola de Futebol João Moutinho. Ingressou no Esperança de Lagos, competindo no campeonato nacional. O passo seguinte foi a seleção do Algarve e a sua descoberta pelo agente Leo Anunciação, uma pedra basilar na sua transferência para o norte de Portugal. Veríssimo reconhece que, no panorama atual, é imprescindível ser descoberto e apadrinhado por um agente para se poder singrar no futebol profissional.
Neste momento, tem acordo com o Sporting de Braga, onde irá continuar a sua formação futebolística e os estudos, porque o Veríssimo sabe que o mundo do futebol é uma incógnita. Pode durar muitos anos ou terminar cedo ou de forma prematura. Considera-se bom aluno, e deseja continuar a sê-lo.Embora não saiba ainda que curso escolher a arquitetura é uma hipótese a considerar. O importante, diz, é ter uma alternativa de vida por via da formação académica.
Quando lhe perguntámos se a escolha do Sporting de Braga, considerando que todos desejam ingressar num dos três grandes, resulta da mesma linha de pensamento que o fizera iniciar-se no Odiáxere, respondeu que sim. «Embora o Braga também seja um dos grandes. Acabou de ganhar a Taça de Portugal», considerou.
O «barlavento» quis ainda saber como será viver a mais de 600 quilómetros de distância, longe dos pais e do irmão mais novo, o Guilherme, com oito anos e também a jogar à baliza.
«Não vai ser fácil, principalmente para a minha mãe. Mas eles irão lá, de vez em quando, e eu virei cá, quando for possível. Foi a vida que escolhi e nada se consegue sem sacrifício», sublinhou o jovem.
A terminar, Veríssimo Silva confidenciou-nos que, aos 14 anos, já realizou dois dos seus três sonhos: impor-se como guarda-redes e ingressar num clube grande. O terceiro tem ainda um horizonte temporal algo distante e consiste em ser guarda-redes da seleção nacional de seniores. Também ambiciona jogar num grande clube estrangeiro, no futuro.
Para já, demonstra que está disposto a fazer os sacrifícios necessários para atingir os triunfos futuros na carreira que abraçou, com grande maturidade e motivação.