A Rádio Universitária do Algarve (RUA FM) está diferente. Desde janeiro, a jornalista Fúlvia Almeida, 38 anos, é a nova diretora desta antena com sede em Faro. «A minha relação com esta rádio era de simpatia como ouvinte e conhecia algumas das pessoas da equipa. O que não é mau, porque de alguma maneira, acho que vim com a frescura necessária» para responder ao desafio que lhe foi proposto – dar mais voz aos estudantes e à academia.
Ao assumir o cargo, encontrou «alguma resistência, como é normal. E ainda estamos numa fase de equilíbrio», admite. «Claro que há quem não se identifique tanto com a RUA tal como está agora. As primeiras críticas são sempre as negativas. E vão continuar até conquistarmos outros ouvintes e um novo público que não tinha por hábito ouvir» a estação universitária.
Entusiasta, Fúlvia Almeida sublinha que tem «grande expectativa» neste processo. «Os estudantes não ouviam muito a RUA. Em setembro, quando começarmos a fazer as emissões em direto nos campi, vou perceber se já a ouvem, se a música que agora passa já se adequa mais aos seus gostos, se a grelha está mais de acordo com aquilo que lhes interessa», explica ao «barlavento».
O vínculo com a cultura e com a agenda cultural de Faro tem sido uma das marcas da RUA. Muitos dos artistas que passam pela cidade são entrevistados no próprio dia e é algo que a nova direção quer reforçar. No entanto, a mensagem ainda não chega a toda a comunidade, sobretudo a académica. «Estamos a fazer um esforço de conseguir, por fim, colocar a RUA a tocar nos bares de Associação Académica e dos Serviços de Ação Social. Há muitos anos que se fala em mudar isto e ainda não aconteceu». Na semana passada foi dado um pequeno passo. «É tão simples. Recolhemos colunas e material que não tinha uso. Agora precisamos de voluntários que nos ajudem a montar os fios nos locais. Talvez alunos das engenharias», brinca.
Outra tradição da casa que Fúlvia Almeida acarinha é «sempre que os músicos e as bandas algarvias têm um trabalho novo, querem estreá-las na RUA. Durante a emissão, há um indicativo para os ouvintes saberem que estão a ouvir música feita no Algarve. Isso acontece entre uma a duas vezes por hora», garante.
A playlist «é o que dá mais trabalho e o que gera mais discórdia. Não pode ser nem muito pop, nem muito alternativa. Estamos a tentar encontrar um equilíbrio. A música é mais recente, de 2000 até à atualidade», explica.
Com isto, «a RUA está mais up, mais para cima. A música é escolhida também com esse intuito, de ser mais dinâmica e de espírito mais jovem. Toda a rádio foi pensada para ser mais alegre, mais divertida, boa de ouvir. A cultura, a informação não têm de ser coisas aborrecidas. Podem ser dadas da mesma forma ligeira, boa, fácil de se ouvir».
A emissão da RUA é contínua, 24 horas por dia. Desde maio, «começámos a ter as manhãs com um animador em estúdio, entre as 8 e as 10 horas, e também à tarde, das 17 às 19 horas. Queremos estar presentes na hora de ponta». A produção de um fórum interativo com os ouvintes também é um objetivo, embora para já faltem os recursos humanos para assegurar a produção.
Para a sua direção, Fúlvia Almeida já tem o objetivo bem definido, que é partilhado com a equipa. «Queremos que a RUA se torne mais próxima da academia e dos estudantes. Que gostem de a ouvir e que queriam vir para aqui. E também que se afirme enquanto rádio da cidade de Faro. Ou melhor, enquanto rádio do Algarve. Apesar de não se ouvir em toda a região em 102,7FM, mas sim pela internet, gostava que tivéssemos uma maior proximidade com todos os concelhos. Uma prova disso é que aceitámos ser a rádio oficial de um festival em Lagos» no próximo mês de julho. «É uma maneira de chegarmos» mais longe.
Lado alternativo e programas de autor
Um aspeto que caracteriza a RUA FM e fideliza os ouvintes são os programas de autor. «As pessoas ouvem os programas de autor, porque lhes dão a música que gostam e que as outras rádios ignoram», explica Fúlvia Almeida, a nova diretora de antena da rádio Universitária do Algarve.
Por exemplo, «a Zona Reaggae tem muitos seguidores, o Bluesmente Falando já ganhou prémios. A RUA do Mofo tem um humor cáustico que agrada muito aos ouvintes. O RUA80 e o Raveolutions têm muito sucesso. Entretanto surgiu o Lado B, dedicado à música eletrónica. Temos ainda o Sonoridades, o Destilaria, o Aqui Há Jazz e o País Relativo».
Como é aceite um novo autor? «Não tem que estar ligado à Universidade. Pedimos um programa piloto para percebermos o que a pessoa nos propõe e o que é que traz de novo», para alargar a oferta e diversidade de conteúdos da rádio. Na calha está «um programa desportivo semanal para fazer a síntese do que acontece no Algarve».
A voz dos estudantes em 102.7 FM
A partir do Cerro de São Miguel «usamos a antena da Rádio Comercial. A emissão chega melhor ao Sotavento e às zonas raianas de Espanha, do que ao Barlavento algarvio. Chega a Silves e Portimão, mas há zonas com cortes», descreve Fúlvia Almeida, a nova diretora de antena da Rádio Universitária do Algarve.
«Enquanto rádio local, não podemos ter cobertura regional» o que limita o alcance das ondas hertzianas. «A nossa grande aposta é a emissão pela internet em direto. Muita gente ouve a rádio quer diretamente através do website, quer através de aplicações para o telemóvel».
Paixão pela rádio
Fúlvia Almeida, a nova diretora da Universitária do Algarve começou a carreira no jornalismo na rádio, a extinta «Super FM», onde fazia «um projeto experimental de rádio universitária, quando era estudante».
«No decorrer de um workshop sobre rádio no IPDJ, cujas aulas práticas eram em Olhão, na Atlântico FM, fui convidada para trabalhar na redação. E foi assim que comecei, no meu segundo ano» do curso de Ciências da Comunicação.
«Depois passei pela Antena1, pela Kiss Fm, durante algum tempo e comecei a trabalhar muito em televisão. Gosto de fazer documentários, reportagens de fundo. Gosto dos meios em que a voz é uma ferramenta. Gosto daquele imediato da rádio e da televisão, frases curtas, diretas. É um tipo de linguagem que me agrada bastante».