barlavento – A edição de 2015 do Festival foi considerada a melhor de sempre. Gostaríamos de perguntar quais são as vossas expetativas para esta 13º edição?
Hugo Nunes – Sem dúvida que a edição de 2015 terá sido, se não a melhor, uma das melhores de sempre do Festival MED. Houve um conjunto de fatores que levaram a esse sucesso – um cartaz de elevada qualidade, algumas novidades e também as excelentes condições climatéricas. Claro que este ano queremos fazer igual ou melhor. Por isso é que durante um ano trabalhámos para fazer as melhores escolhas musicais, criar um programa que proporcione novas experiências aos visitantes e introduzir algumas inovações. Sabemos que a fasquia está alta. Mas estamos confiantes que esta 13ª edição será ainda melhor do que a anterior.
Gostaríamos de saber que melhorias foram introduzidas esta edição para tornar o acesso mais fácil e tornar esta uma experiência ainda melhor para o público? Por exemplo, ao nível do estacionamento disponível?
Estamos conscientes que os acessos e o estacionamento, por exemplo, são sempre um fator a ter em conta para o público e, por isso, queremos melhorar a cada edição estes aspetos. Este ano vamos ter oito parques de estacionamento gratuitos, espalhados por vários pontos da cidade, relativamente próximos de recinto, onde o visitante poderá deixar a sua viatura.
A animação de rua não tem sido muito divulgada. Gostaríamos de saber se também neste aspeto há novidades?
Também tem sido uma das nossas apostas, até porque é um complemento essencial ao cartaz musical. Este ano vamos ter algumas novidades, mas queremos ter presente o fator surpresa. No entanto, posso adiantar que vamos ter mais uma vez o Cante Alentejano, mais um Património Imaterial da UNESCO presente no MED, com a participação de grupos vindo de várias partes desta região. O teatro de rua também estará em destaque, com atuações do Ao Luar Teatro ou do Vicenteatro, os animadores da Associação Satori que trazem sempre espetáculos de fogo e malabarismos diferentes e surpreendentes, ou a música dos Alfanfare, Eduardo Ramos, Afonso Dias, Rhakatta ou Toca Tintas. Teremos ainda alguns Concertos Improváveis que irão surpreender todos os que venham a Loulé.
Esta edição será reeditada também a integração do MED no programa «Movimento Desperdício Zero». Foram os resultados anteriores que motivaram esta repetição?
Em parte foi devido ao sucesso no lançamento desta iniciativa, no ano passado, que decidimos reeditá-la. A ideia surgiu a partir de um trabalho conjunto entre a organização e os responsáveis da Divisão de Coesão Social e Saúde da Câmara Municipal de Loulé, e também no âmbito do protocolo celebrado com a Associação Dariacordar, em 2014, com o objetivo de despertar as pessoas e as instituições para a realidade do desperdício alimentar, para que esta atitude passe a fazer parte da cultura social. Esta iniciativa, que conta com o envolvimento de várias entidades, nomeadamente a Refood, a Associação EXISTIR, o Banco de Voluntariado e técnicos da autarquia, recolheu em 2015 mais de 200 quilos de comida confecionada e não consumida ao fim das três noites de festival, que foi entregue a famílias carenciadas. O Festival MED é um evento de causas, sejam elas ambientais ou sociais e, nesse sentido, através desta ação no terreno estamos a contribuir também para a consciencialização do público, redirecionando para quem mais necessita os excedentes alimentares gerados no evento.
O festival tem um Open Day, dia de entrada livre (domingo, 3 de julho), no qual a gastronomia será a principal atração do MED. Quais as novidades?
Sim, vamos manter um dia de entrada livre. A world music dá lugar à Dieta Mediterrânica, com a realização de vários workshops com chefs e sessões de degustação. O visitante poderá também saborear a gastronomia de vários países do mundo nas áreas de restauração. As bancas de artesanato mantêm-se neste dia e teremos ainda animação de rua e espetáculos de música pontuais. As quatro exposições que fazem parte do programa também podem ser visitadas. Com este dia aberto queremos que as pessoas com menos recursos ou que, por outros motivos, não possam estar nos dias oficiais do MED, sintam um pouco do que é o espírito deste evento.
O alojamento também tem sido uma preocupação? Que aconselha aos festivaleiros que venham de propósito e queiram pernoitar?
A cidade de Loulé tem algumas carências ao nível da oferta hoteleira, apesar de termos um hotel de três estrelas, algumas unidades de habitação e turismo, entre as quais um hostel. Mas temos a zona litoral onde a oferta é muito mais numerosa e variada, existe alojamento para todas as bolsas, desde hotéis de cinco estrelas ao parque de campismo de Quarteira. Por outro lado, em localidades mais do interior, não muito distantes de Loulé, também é possível encontrar alguns alojamentos bastante agradáveis e pouco dispendiosos, nomeadamente de turismo rural, em Boliqueime, na Tôr, em Salir ou em Alte, por exemplo. Portanto, a oferta é diversificada. O certo é que nesta altura do ano, em grande parte devido à realização do Festival MED, o alojamento no nosso concelho tem lotação esgotada.
A edição do MED coincide com do Alameda Beer Fest, em Faro. Foi uma coincidência ou por motivos de agenda dos vários artistas não foi possível coordenar outra data?
Acredito que o Festival MED e o Alameda Beer Fest não sejam os únicos eventos que vão acontecer nestes dias na região algarvia. No caso do MED 2016, a decisão das datas desta edição foi tomada em outubro de 2015, sendo as razões, fundamentalmente, por questões que se prendem com o agenciamento dos artistas. Esta data permite-nos estar em sintonia com outros grandes festivais europeus como o Roskilde, na Dinamarca, o que possibilitou trazer artistas como o camaronês Blick Bassy e a chilena Ana Tijoux com custos mais reduzidos, visto estarem em tourné europeia nesta data. Por outro lado, a entrada no mês de julho pode trazer um acréscimo de público uma vez que este é um mês mais forte em termos turísticos, não esquecendo a potencial melhoria das condições meteorológicas. Todas estas componentes jogam a favor do sucesso do Festival MED 2016.
Fadistas algarvios
O fado volta a estar em destaque na programação, com um espaço próprio nos Claustros do Convento Espírito Santo, que recria uma típica casa de fados. Ao sabor de petiscos bem portugueses, o visitante poderá conhecer alguns fadistas algarvios: Pedro e Teresa Viola (30 de junho), Ana Marques e Sara Gonçalves (1 de julho), Isa de Brito e Hélder Coelho (2 de julho), acompanhados à guitarra por Ricardo Martins e Nuno Martins.
«One Man Show» e Off MED
No Palco Arco, junto à Igreja Matriz e numa área de restauração, a proposta são os concertos «one man show», um novo conceito introduzido nesta edição. Os cantautores Daniel Kemish e Nanook estarão neste palco diariamente, com um repertório diferente entre temas originais e covers. Outra das novidades é o Off MED. Através de uma parceria com o bar Bafo de Baco, é apresentado um programa alternativo fora do recinto, no palco do bar situado na Avenida Afonso de Albuquerque. No dia 30, atua La Motta & Renato Sousa, um projeto de indie folk em português. O duo Sara Badalo e Pedro Matos, apresentam-se na noite de dia 1 de julho. No dia 2, diretamente dos Estados Unidos para Loulé, os texanos Nashville Pussy apresentam um concerto dirigido aos amantes do rock mais pesado. Ainda nesta noite, o português Fast Eddie Nelson toca no palco Off MED, com um repertório que vai dos blues ao rock, do folk ao bluegrass. Bilhetes independentes e adquiridos no local.
Tertúlia Playlist apresenta bandas
O Mercado Municipal de Loulé abre as portas para receber uma tertúlia onde será apresentada uma
Playlist Especial MED 2016, na sexta-feira, 24 de junho, a partir das 18h30. O objetivo é promover os artistas que vão passar pelos palcos principais deste evento. Cada música será acompanhada por uma descrição da banda e a razão pela qual foi escolhida pela organização.
Música alternativa nos palcos Jardim e Bica
Uma novidade é a criação de um novo palco no Jardim dos Amuados. Virado para a world music na sua vertente mais tradicional, o Palco Jardim vai contar com a atuação de artistas provenientes da Síria, Marrocos, Sudão e Guiné Conacri: Muhsilwán (30 de junho); Alturaz Al Andalusi (1 de julho) e Sharq Wa Garb (2 de junho). No Palco Bica, programado inteiramente pela Casa da Cultura de Loulé, as propostas passam pela música numa corrente mais alternativa: João Caiano & The Unlovely Stories e os Vulture (30 de junho); Epiphany e Zawaia Sound (1 de julho) e Migna Mala (2 de julho, 20h30). Na última noite, fecha o festival a dupla Tiago Gomes & Tó Trips (dos Dead Combo).
Informação no telemóvel
A organização melhorou a aplicação para telemóveis Android e IOS que além de mostrar conteúdos com as biografias das bandas que integram o cartaz, horário dos concertos, usa georreferenciação que permite, através da localização do utilizador (sistema GPS), saber quais os serviços que se encontram à sua volta – restauração, palcos, bares, exposições, comércio ou WCs. Os utilizadores que já dispõem da aplicação do ano passado terão apenas de a atualizar. A Câmara Municipal de Loulé garante uma cobertura WI-FI gratuita na área dos palcos durante os dias de festival. O link para descarregar a aplicação nas respetivas stores podem ser encontrados em www.festivalmed.pt
MED Classic todos os dias
Diariamente às 19 horas, a Igreja Matriz é palco do MED Classic. No dia 30 de junho, apresenta-se neste palco a Orquestra Clássica do Sul, com um Concerto de Trompas e Cordas. No dia 1 de julho, o quarteto de guitarras Concordis, constituído por Eudoro Grade, João Venda, Rui Martins e Rui Mourinho, guitarristas residentes na Região do Algarve, é o convidado. No encerramento do evento atua o acordeonista Gonçalo Pescada, com o espetáculo «Revoluções Musicais no Mediterrâneo».
Cinco estreias absolutas
Mbongwana Star (Congo), Danakil (França), Moh! Kouyaté (Guiné Conacri), Blick Bassy (Camarões) e Chico Correa (Brasil) são os nomes em estreia absoluta em Portugal. Vão juntar-se aos já anunciados Dubioza Kolektiv (Bósnia e Herzegovina), Tinariwen (Mali), Emicida (Brasil), Hindi Zahra (Marrocos/França), Alo Wala (Dinamarca/Noruega/Estados Unidos), Ana Tijoux (Chile), Sonido Gallo Negro (México), Dona Onete (Brasil) e Otava Yo (Rússia) e os portugueses António Zambujo, Capicua, Aldina Duarte e Isaura.
Política de bilheteira
Os bilhetes estão disponíveis online em diversos pontos de venda, através da parceria com a BOL – Bilheteira Online, com os seguintes preços: 10 euros (Bilhete Diário); Bilhete Festival (acesso aos três dias) 25 euros, e Bilhete Diário Família (dois adultos e duas crianças até 16 anos) 25 euros.