Sob a inocente capa da gastronomia, que, ainda por cima, regada com um bom vinho, tem a particularidade de nos deixar dormentes, sem capacidade de reação alguma, os nossos princípios constitucionais têm vindo a ser afrontados, sem que, até ao momento, a público se tenha vindo denunciar tal estado de coisas e, com as coisas neste estado, passado a reagir em conformidade.
Na verdade, o que diz a nossa Constituição, a Lei Fundamental do país, à qual cada um de nós se deverá submeter, se se quiser um cidadão exemplar, digno de viver num estado de direito e democrático?
Logo no seu primeiro artigo, que não no último, para que ninguém possa, em ultima instância, argumentar que tendo começado a lê-la, de tão extensa, se deixou dormir antes de chegar ao fim dela, mesmo os menos instruídos poderão soletrar:
«Por-tu-gal é uma Re-pú-bli-ca»!
Ora, sendo assim ou assim sendo, como permitir-se, impunemente, o florescimento por todo o país, de norte a sul, de nascente a poente, de subversivas instituições como o «Rei dos Frangos», o «Rei do Peixe Assado», o «Rei dos Leitões», o «Rei do Bacalhau» e similares?
Estamos ou não estamos, decididamente, perante uma afronta aos princípios constitucionais, uma afronta à nossa Lei Fundamental, perante um golpe, gradual e subtil, visando substituir-se a República pela Monarquia, a que urge pôr cobro, sob pena de virmos, até, a ficar, novamente, sob o domínio dos espanhóis e sem sabermos se, empanturrados e dormentes, haverá, depois, ainda, por aí alguma «Padeira de Aljubarrota»?!
Um golpe, de resto, a que, certamente, não será alheio o Presidente Marcelo (a), que, com tantos «beijinhos» e «selfies», consumado que o mesmo seja e passando uma rasteira ao Duque de Bragança, tipo da «vichyssoise» passada em tempos a Paulo Portas, aspirará a ver, finalmente, realizado o sonho que há muito perseguirá: sentir-se com uma Coroa na cabeça, ainda que sem rubis ou esmeraldas, que a dívida externa continuará elevada para isso, mas nem que seja com umas conchinhas apanhadas na praia frente ao Gigi.
Vamos, depois da «revolução dos cravos», acabar por ser vítimas dum «golpe gastronómico»?!
Jámé! Avante Republicanos!
(a) Porque acham que Marcelo passou a integrar a Junta da Fundação da Casa de Bragança desde 1995 e da qual,apenas, temporariamente suspendeu funções?