O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) acusou ontem, 29 de setembro, a administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) de alterar «unilateralmente a forma de pagamento aos enfermeiros que se voluntariam para pertencer à escala de evacuações de doentes urgentes, reduzindo o valor para metade».
«A legislação que consagra o regime de prevenção desde 1979, prevê que a instituição pague metade do valor hora aos profissionais que estão prevenção para ocorrer a situações de transporte de doentes urgentes para outras instituições. Mas a partir do momento em que são activados para efectuar o transporte, passam naturalmente a receber como trabalho extraordinário, uma vez que vai para além do seu horário normal de trabalho», esclarece o SEP.
Contudo, segundo os sindicalistas, o Centro Hospitalar do Algarve decidiu «uma vez mais, em total desrespeito pelo trabalho dos profissionais, sem comunicar aos enfermeiros, pagar sempre metade do valor hora, ainda que os profissionais realizem o transporte. O que significa que o valor da manutenção da vida de adultos ou, por vezes crianças, em estado crítico dentro de uma ambulância a caminho de Lisboa pode valer a módica quantia de 3,5€/hora!», denuncia o sindicato que considera a atitude «inacreditável».
«Só quando os enfermeiros questionaram a alteração do valor verificada no seu talão de vencimento é que foram convocados para uma reunião, onde lhes foi confirmada a decisão, com a agravante de lhes ter sido dito que ainda correm o risco de terem de devolver dinheiro de evacuações já realizadas. Nestas circunstâncias já vários enfermeiros comunicaram que não vão continuar a colaborar na escala de evacuações como o têm feito até aqui», o que coloca este serviço em risco, nas urgências de Faro.
O SEP, em nota assinada pelo enfermeiro e dirigente algarvio Nuno Manjua garante que «vai agora apoiar os enfermeiros a requererem as horas em dívida e a reposição da legalidade».