Empresários algarvios debateram a legislação laboral com a ministra do Trabalho, abordando escassez de mão de obra e desafios do setor do turismo.
Empresários do turismo do Algarve debateram a nova legislação laboral num jantar-debate promovido pela Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), com a participação da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.
A iniciativa realizou-se na sexta-feira, 23 de janeiro, no Vila Vita Parc, em Lagoa.
Na abertura da sessão, o presidente da direção da AHETA, Hélder Martins, apontou a falta de recursos humanos como uma das principais preocupações do sector.

«Há dificuldade em trazer pessoas para trabalhar e em reter talento», afirmou, acrescentando que o acesso à habitação é outro problema estrutural.
«É incomportável para as empresas arrendar alojamento ao preço de mercado», referiu.
Na sua intervenção, a ministra defendeu que o sector do turismo «precisa de outro enquadramento normativo», capaz de responder à forte oscilação sazonal entre a oferta e a procura de trabalho no Algarve.
A governante sublinhou que o governo está atento a esta realidade e lembrou a criação do Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada, assinado a 1 de abril de 2025, que visa agilizar os processos de contratação para responder à escassez de mão de obra em setores como o turismo e a agricultura.

Sobre o anteprojeto Trabalho XXI, atualmente em discussão na concertação social, Maria do Rosário Palma Ramalho explicou que o objetivo passa por «dar às empresas um quadro regulador moderno», que permita aumentar a produtividade e os salários, ao mesmo tempo que valoriza os direitos dos trabalhadores, nomeadamente em matérias como a parentalidade e a contratação de jovens.
A ministra considerou ainda que esta reforma da legislação laboral, a par de outras políticas de estímulo económico, é «indispensável para que o país cresça para além dos dois por cento».
Após a intervenção da governante, seguiu-se um período de perguntas e respostas, durante o qual empresários e administradores esclareceram dúvidas sobre as propostas do governo em matéria laboral.
A noite ficou também marcada por uma homenagem a Jorge Beldade, pelo trabalho desenvolvido enquanto vice-presidente da AHETA, cargo que exerceu durante 20 anos, até 31 de dezembro de 2025.
Este jantar-debate foi a primeira de várias iniciativas que a AHETA pretende promover ao longo de 2026, com o objetivo de trazer ao Algarve decisores nacionais e internacionais para discutir temas relevantes para o sector.
Para março está já previsto um encontro com o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, em data e local a anunciar.
