Frio e gripe impedem, para já, a avaliação do excesso de óbitos, levando o Governo a remeter qualquer balanço oficial para depois do fim do inverno.
A ministra da Saúde afirmou que apenas no final do inverno será possível fazer um balanço do atual excesso de óbitos associados, principalmente, à epidemia de gripe e ao frio.
«Não podemos ainda fazer um balanço sobre a mortalidade […], porque ainda não terminámos o inverno e o plano sazonal de inverno […] e porque […] só podemos ter a certeza, passado algumas semanas, quando o pico começa a abaixar e começarmos a ter aquilo que chamamos o planalto», disse Ana Paula Martins ontem, durante uma visita de trabalho à região do Algarve, para assinar as parcerias para o futuro Hospital Central do Algarve.
O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa) revelou na sexta-feira que a atividade gripal epidémica está a abrandar em Portugal, com menos casos de gripe, infeções respiratórias graves e internamentos em cuidados intensivos, mantendo-se o excesso de óbitos.
Segundo o boletim de vigilância epidemiológica da gripe e outros vírus respiratórios do Insa, relativo à semana de 12 a 18 de janeiro, a atividade gripal epidémica está em tendência decrescente em Portugal.
A ministra da Saúde afirmou que Portugal não é um caso isolado e que noutros países europeus também há um excesso de mortalidade, referindo uma situação idêntica em, pelo menos, Espanha, Itália, Grécia e Dinamarca.
«Este ano há, de facto, um excesso de mortalidade», reconheceu a ministra, acrescentando que, nos últimos 35 anos, há «pelo menos três períodos com uma mortalidade equivalente ou superior» à do inverno atual.
Ana Paula Martins sublinhou que «Portugal foi o país que teve simultaneamente a epidemia de gripe e o frio, duas dimensões com impacto na mortalidade, ao contrário de outros países».
Segundo o Insa, desde o início da época gripal, em 29 de setembro de 2025, os laboratórios da Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Outros Vírus Respiratórios notificaram 73.292 casos de infeção respiratória, tendo sido identificados 14.243 casos de gripe.
Na semana em análise, entre 12 e 18 de janeiro, foram identificados 495 casos de gripe, menos 258 do que na semana anterior, e admitidos 75 casos de infeção respiratória aguda grave nas Unidades Locais de Saúde, menos cinco, correspondendo a uma taxa de incidência de 9,6 casos por 100.000 habitantes.
«Em termos globais, a taxa de incidência de infeção respiratória aguda grave apresentou uma tendência decrescente, mas é importante salientar que as duas ULS que reportaram dados para a vigilância apresentaram taxas muito díspares, condicionando a análise do resultado global», ressalvou o Insa.
O instituto sublinhou ainda que, apesar da tendência decrescente nas últimas semanas, a taxa de incidência de infeção respiratória aguda grave permanece mais elevada nas pessoas com 65 ou mais anos.
Foto: Bruno Filipe Pires