É uma coleção de selos que será inovadora, quanto mais não seja, porque será vendida enlatada. Ou seja, a emissão filatélica será embalada tal qual uma conserva de peixe à moda antiga. Fechada e revestida como as iguarias gourmet que se encontram à venda nas mercearias, lojas da especialidade e maioria das grandes superfícies. Não traz produtos do mar, mas uma nova série emitida pelos Correios de Portugal, alusiva à Indústria Conserveira Nacional.
Portimão é uma das cidades escolhidas para o lançamento desta série, não só pela tradição do passado em que teve famosas fábricas de conservas de peixe, mas porque hoje tem um Museu dedicado a este tema, com um arquivo físico que preserva as memórias desta indústria.
Ao «barlavento», o diretor regional do CTT no Algarve confirmou o lançamento desta série de selos, que está marcada para dia 31 de outubro. É uma iniciativa à medida daqueles que levam a filatelia a sério, pois será possível obter o carimbo de primeiro dia na Estação dos Correios Manuel Teixeira Gomes, a partir das 9 horas, mas também terá interesse para a comunidade local que queira, assim, ficar com uma recordação desta iniciativa.
Apesar de não ser exclusiva para a cidade portimonense, pois segundo os CTT haverá carimbos de primeiro dia também em Lisboa (Restauradores), Funchal, Porto, Ponta Delgada e Matosinhos, a verdade é que há uma ligação especial ao Algarve.
Aliás, os Correios de Portugal fizeram uma parceria com a Câmara Municipal de Portimão, tendo o diretor científico do Museu local José Gameiro escrito, inclusive, um texto sobre a Indústria Conserveira, no qual refere alguns aspetos da história deste sector e o seu desenvolvimento. Apesar da emissão ser relativa à indústria no contexto nacional, o equipamento cultural portimonense disponibilizou algumas das imagens que tem em arquivo aos CTT para ilustrar a emissão.
Segundo José Gameiro, o texto aborda «um sector que não existe cá. O que existe são as memórias. Falo da história, passando pela Revolução Industrial, pelos novos processos que estiveram na base deste sector e a sua chegada a Portugal, com a primeira fábrica Ramirez em Vila Real de Santo António [na rota do atum], depois em Setúbal».
O diretor termina com a alusão ao facto de, no início, as conservas terem sido uma comida destinada aos exércitos, mas que hoje conquistaram, devido à sua versatilidade, um patamar gourmet. «As conservas, a cortiça e o vinho são as grande bandeiras da exportações portuguesas», sublinhou.
Por sua vez, a marca Ramirez, fundada em 1853 e um marco também na história do Algarve, acabou por ser outra importante mais valia, pois criou as latas serigrafadas e embalou os novos selos. É a primeira vez que uma emissão de selos é apresentada ao público em latas de conserva, fechadas em autoclave. Ao que o «barlavento» conseguiu apurar, cada um dos seis selos desta emissão contém três imagens, uma à esquerda, uma central e uma à direita. Há imagens do galeão a vapor, de um pormenor de um cartaz publicitário, um biqueirão, o desenvasar da sardinha, um cais de descarga do peixe para a fábrica de conservas, o enlatamento, um cartaz publicitário das conservas e atum, entre outras. Todos os selos têm uma tiragem de 125 mil exemplares cada. E destes, 50 mil serão apresentados ao público encerrados em latas de conserva. Também em Lagos, será emitido um carimbo de primeiro dia relacionado com o II Encontro de Colecionadores da Cidade de Lagos, a 22 de outubro, entre as 9h00 e as 13h00, lançado durante o evento no Armazém Regimental de Lagos.
365 Algarve faz render o peixe no Museu de Portimão
O Museu de Portimão será o palco de um projeto de arte contemporânea, que se cruza com a gastronomia, em torno do mar e da cultura algarvia. Chefs e artistas de renome nacional e internacional são desafiados a criar momentos de fusão entre os sabores a as artes visuais. O ponto de partida será a riqueza do território. O nome do ciclo será «Fazer Render o Peixe em Portimão».
A abertura, conforme explicou José Gameiro, diretor cientifico daquele equipamento cultural, será na quinta-feira, 27 de outubro, às 18 horas, juntando no mesmo espaço o artista Kwame Sousa, autor da exposição «Um Olhar Sobre o Peixe Seco», e o chef André Magalhães. O ingrediente será o litão, servido com algas, numa cataplana, numa recriação de um prato típico da região, sendo depois dado a degustar a quem for assistir à abertura do projeto. O elo de ligação será a evocação das cores e tradição do peixe seco no Algarve, promovida pelas telas de grande formato do artista santomense.
Esta será apenas a primeira das ações, pois haverá oito meses de iniciativas neste equipamento, contando com a direção artística da associação Aspas e Parênteses.
Até 18 de dezembro, em contraponto com a obra de Kwame Sousa, também será dado a conhecer o vídeo realizado por Tiago Pereira, artista de Vídeo e divulgador conhecido pelo projeto A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, com o primeiro episódio da série a ser dedicado ao litão, preparado pela mão do chef, crítico e gastrónomo André Magalhães.
ICOM Portugal discute relação entre museus, comunidade e turismo
O encontro de outono do International Council of Museums (ICOM) de Portugal colocará em debate a relação entre os museus, a comunidade e o turismo, no dia 29 de outubro, a partir das 9h00, em Viseu. José Gameiro, diretor científico do Museu de Portimão será um dos oradores que apresentará o caso deste equipamento cultural no que respeita a esta temática. O responsável explicará de que forma o turismo, que tem vindo a exercer um profundo impacto social e económico, se liga ao espaço cultural e à comunidade. «Na cidade algarvia de Portimão, a transformação de uma antiga fábrica de conservas em museu, num contexto temporal e territorial condicionado pelo modelo turístico dos anos 70 e 80, coloca alguns desafios sobre os caminhos, as potencialidades e os limites dessa coexistência e a definição de um programa museológico», esclarece.