As cirurgias minimamente invasivas, ao contrário das cirurgias convencionais, envolvem a realização de procedimentos cirúrgicos, através de pequenos orifícios, utilizando instrumentos e técnicas vídeo-endoscópicas, o que aumenta a proteção dos doentes no que respeita à segurança, ao mesmo tempo que oferece resultados mais funcionais. Este gesto cirúrgico é agora também possível na substituição da válvula mitral.
A utilização de pequenos orifícios, em vez do recurso a extensas feridas cirúrgicas, oferece melhor resultado cosmético, mas mais importante, menor dor pós-operatória e menor morbilidade associada, levando à diminuição do tempo de convalescença e internamento.
A válvula mitral separa a aurícula esquerda do ventrículo esquerdo e a sua estenose manifesta-se de forma contínua, progressiva, com um início de desenvolvimento lento, seguido de uma fase de aceleração progressiva com incapacidade cada vez maior. A estenose da válvula mitral é um estreitamento da abertura da válvula mitral que aumenta a resistência ao fluxo da corrente sanguínea da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo.
O seu aparecimento relaciona-se na maior parte dos casos com história prévia de febre reumática, mas pode também dever-se a uma situação congénita, endocardite infeciosa, artrite reumatoide, entre outras.
A área normal da válvula mitral é cerca de 4 a 6 cm², começando a apresentar repercussões hemodinâmicas quando esta área diminui abaixo dos 2,5 cm², aumentando assim o volume e a pressão ao nível cardíaco e pulmonar, cujos principais sintomas são a dispneia (falta de ar) de esforço e o cansaço fácil, limitando a capacidade das atividades diárias.
Na cirurgia das válvulas cardíacas é realizada uma reparação ou uma substituição da válvula nativa por próteses que podem ser de materiais totalmente sintéticos ou biológicos. A reparação ou substituição da válvula mitral é considerada a opção terapêutica adequada em pacientes com doença degenerativa valvular ou regurgitação mitral severa isolada, sendo que a reparação é possível em cerca de 90% dos casos. No entanto, mesmo quando existe esse encaminhamento, a proposta cirúrgica é habitualmente realizada por esternotomia completa (a peito aberto). Este gesto além de possuir riscos obriga a um pós-operatório mais demorado e doloroso.
Tem aumentado a evidência de que a Cirurgia Minimamente Invasiva tem vantagens importantes sobre a esternotomia convencional, apresentando-se como uma técnica segura e com melhores resultados clínicos e funcionais no pós-operatório imediato.
A redução da dor e a possibilidade de realizar as atividades diárias mais precocemente (por exemplo, é possível voltar a conduzir ao fim de 2 semanas) são aspetos que deixam os doentes mais satisfeitos. Da mesma forma, o facto de se realizar uma pequena incisão faz com que o tempo de recobro nos Cuidados Intensivos seja menor, com menos necessidade de suporte ventilatório e de transfusões sanguíneas, bem como menor incidência de infeções sistémicas.
A reparação da válvula mitral por toracotomia é uma cirurgia que só muito recentemente começou a ser realizada em Portugal, sendo que na região sul do país a primeira ocorreu em dezembro do ano passado no Hospital Particular de Gambelas, em Faro.
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