A Associação de Regantes e Beneficiários de Silves, Lagoa e Portimão está a fazer todos os esforços para se reunir com a tutela, o Ministério do Ambiente, de forma a resolver o impasse de ligação do novo sistema de rega sob pressão ao adutor do Funcho.
Ao «barlavento» José Vilarinho, presidente daquela associação, adiantou que esteve na Câmara Municipal de Silves para formalizar o apoio da autarquia, que poderá disponibilizar autocarros para levar os agricultores a Lisboa.
Rosa Palma, a presidente da Câmara Municipal, «pediu-me uma relação da documentação existente», que foi entregue na terça-feira passada, 8 de março, para conhecer a fundo o processo. Até à data, a associação não conseguiu ligar o adutor do Funcho ao novo sistema de rega, que custou 8 milhões, por falta de autorização da Agência Portuguesa do Ambiente e Administração da Região Hidrográfica do Algarve. Em causa está o impedimento de utilizar a água para o abastecimento público e para a rega.
Para já, os agricultores têm intenção de rumar a Lisboa para mostrar o descontentamento. «A posição política é uma coisa e a técnica é outra. Tenho os documentos que justificam a atitude que temos tomado», acrescentou José Vilarinho.
Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente já tinha esclarecido, na semana passada, que a obra não foi licenciada pela APA e que será necessário voltar ao projeto original, com a construção de uma estação elevatória. A obra, terminada no final do ano passado, teria que ser ligada ao adutor até este mês, para que Bruxelas desse luz verde aos fundos.
Cristóvão Norte, deputado do PSD eleito pelo Algarve, também interveio, no debate do Orçamento de Estado na especialidade, apelando a Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura, para que este procurasse «sensibilizar o ministro do Ambiente, no sentido de construir uma solução, que assegurasse a utilidade da obra».
Ao «barlavento», o deputado disse que esta intervenção pretendia também sensibilizar o ministro da Agricultura para a necessidade de «fazer diminuir os custos dos fatores de produção, de modo a aumentar a área coberta pelo regadio e potenciar a atividade agrícola naquele perímetro de rega». O ministro da Agricultura afirma conhecer o processo em causa, tendo ainda garantido ao deputado social-democrata, que apesar de não ser a sua tutela, «se iria empenhar para arranjar uma solução».
Segundo Cristóvão Norte «a questão é saber o que vai fazer o governo: o investimento está feito e falta proceder à ligação da água para baixar os custos de produção e alargar o regadio. Não é só falar de agricultura, é preciso criar as condições».