O deputado do PSD eleito pelo Algarve, Cristóvão Norte, vê com apreensão o corte de três por cento previsto nas verbas disponibilizadas no Orçamento de Estado (OE) para os hospitais da região. No debate travado com Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, afirmou que, «após anos, em que quem estava na oposição, dizia que as opções eram desmantelar o SNS na região, constata-se que se verificam cortes nos hospitais do Algarve». O deputado foi mais longe e afirmou que, «desde 2013, com a criação do Centro Hospitalar, muitos montaram piquetes às portas das morgues, sem atender a razões clínicas, criando alarme social para fins partidários e mediáticos, o que não foi bom para a confiança no sistema, nem para utentes e famílias».
Cristóvão Norte entende que importa conhecer o modelo que o governo quer implementar no Algarve e se esse modelo garante a manutenção de valências. Para o deputado social-democrata «esta redução de financiamento – designadamente o que está previsto para pessoal – não vai permitir combater um dos maiores problemas que é a crónica insuficiência de médicos, até porque reduzindo a verba, e conjugando esse facto com as 35 horas e o aumento das horas extraordinárias, o que parece é que se terá menos recursos humanos e não mais como se apregoava», reforçou.
No final do debate, Cristóvão Norte criticou ainda a situação de incerteza vivida pela população da região, por não haver qualquer informação sobre o modelo que será adotado no Algarve. O deputado assumiu, inclusive, o receio de que a decisão a tomar possa colocar em causa o nível de diferenciação, colocando a região numa situação de mera referenciação em relação a Lisboa. O Orçamento de Estado 2016, segundo o deputado, prevê menos 4,5 milhões de euros para o Centro Hospitalar do Algarve.