Numa roda viva, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro Marques desdobrou-se em apresentações e atribuição de apoios, num périplo pela região, na semana passada. O projeto de eletrificação da via férrea, apresentado em Portimão na manhã de sexta-feira, foi uma das mais apreciadas. Considerada como obra fundamental para apetrechar a região com a mobilidade que há muito carece, está orçada em mais de 32 milhões de euros, valor que ainda não contempla a totalidade da empreitada que vai ligar o Algarve ao resto do país e Europa em condições de modernidade. Será integrada na «Ferrovia 2020», um ambicioso programa de 2,7 mil milhões de euros que renovará toda a rede ferroviária de Portugal.
Assim, conforme a apresentação das Infraestruturas de Portugal, o objetivo é «concluir a eletrificação da linha do Algarve», entre Tunes e Lagos e entre Faro e Vila Real de Santo António, para que «a travessia no Algarve se faça em comboios elétricos, melhorando o serviço e reduzindo os tempos» de viagem entre estações.
O primeiro troço, a Barlavento, terá uma extensão de 46 quilómetros e tem um custo estimado de 14 milhões de euros, enquanto a Sotavento serão 56 quilómetros, numa intervenção que rondará os 18 milhões de euros. «Haverá um conjunto de trabalhos acessórios, como os acessos nas passagens de nível», a sinalização, que devem custar 1,6 milhão de euros.
A apresentação decorreu num espaço improvisado na estação de Portimão, sendo interrompida amiúde pelos passageiros que iam comprar bilhetes.
A linha do Algarve está eletrificada apenas entre Tunes e Faro, mas chegar a um dos extremos da região levanta uma questão para a qual, a IP, só agora apresentou resposta.
«Teremos que construir uma nova subestação. Estamos a desenvolver negociações com a REN e a EDP para as soluções mais eficazes e mais baratas, que permitam a alimentação do troço entre Faro e Vila Real de Santo António. Teremos investimento associado à nova subestação que não está ainda totalmente definido, pois estamos a negociar com a REN e não queremos tornar já pública a nossa estimativa», explicou o representante da IP.
O troço a Barlavento será alimentado a partir da subestação existente em Tunes, estando prevista a ampliação. A perspetiva dos autores da avaliação é que esta seja uma solução económica.
«Está associada a esta intervenção a implementação de uma solução de retorno de corrente. Ou seja, uma ligação à terra, como temos em casa, que permite garantir a segurança de pessoas e de bens nessa linha. Isto evita descargas elétricas acidentais, quer em relação a pessoas, quer aos equipamentos instalados. Haverá pequenas intervenções a nível das telecomunicações e da sinalização», acrescentou o responsável da IP.
Os responsáveis estimam como prazo de conclusão o final de 2020, mas a garantia dada na semana passada é que os trabalhos começam já com o lançamento, nos próximos dias, do projeto de eletrificação dos troços (projeto de execução e estudo de impacto ambiental). Apenas quando estiver concluído será possível à IP avançar com a obra. Estima-se que «a conceção e construção da subestação elétrica seja no terceiro trimestre» deste ano, enquanto «o lançamento das duas empreitadas de eletrificação» terão lugar um ano mais tarde, em 2018.
Obra será concretizada mais cedo que o previsto
O lançamento do «Ferrovia 2020», em fevereiro de 2016, previa a conclusão da intervenção na linha do Algarve para o final de 2021. No entanto, a equipa das Infraestruturas de Portugal recebeu indicações da tutela para tentar agilizar o processo. Conseguiram poupar um ano de trabalho, sendo a nova data para a conclusão o final de 2020. Pedro Marques quis anunciar de viva voz a obra e «confirmar o compromisso do governo, porque foi quem inscreveu nos mapeamentos europeus a eletrificação desta linha. Antes não era verdadeiramente prioritário, pois nem projetos existiam», esclareceu o ministro.
Foi necessário tomar opções, mas Pedro Marques assegurou que o governo apenas está a fazer a obrigação, que é promover o desenvolvimento do país, através de políticas públicas.
«Desde a elaboração de um instrumento de planeamento que se chamava PEC que a eletrificação da linha do Algarve era assim como um pisca-pisca. Uns dias acendia, outros apagava. Chegou o momento de passar do powerpoint à obra e, para fazer isso, tínhamos que fazer aprovar em Bruxelas uma lista de projetos» a inscrever nos mapas financiados pelos fundos comunitários.
Isilda Gomes acredita na palavra do ministro
«O governo não faria favor nenhum ao fazer estes investimentos, mas muitos governos por lá passaram e não tomaram estas decisões. Tenho uma confiança extrema no ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro Marques, porque, quando promete, não falta e, quando se compromete, assume o compromisso», assegurou Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, perante uma estação ferroviária cheia para conhecer em pormenor a tão esperada eletrificação da linha do Algarve, na sexta-feira, dia 20.
«Hoje é um dia memorável para o Algarve», até porque para já a região tem «comboio, mas não tem». A autarca destacou que é fundamental criar uma «verdadeira alternativa à rodovia», algo que até à data não tem acontecido. Hoje, ir de Lagos a Tunes demora mais de 40 minutos, uma realidade bem díspar das 2h30 que demora a percorrer a distância entre Tunes e Lisboa no alfa-
-pendular, por exemplo. Já para atravessar toda a região são quase três horas de viagem, se não houver atrasos e outros imprevistos habituais.
A autarca portimonense considerou que já era tempo do Algarve merecer uma «atenção especial», pois contribui de forma substancial para o PIB nacional. Aliás, só o poderá continuar a fazer no futuro, pela atividade turística, «se houver investimento em áreas prioritárias». «Por fim, começamos a ver a luz ao fundo do túnel», disse, referindo-se também à requalificação da EN125.
Para Isilda Gomes, hoje, a viagem entre Tunes e Portimão é um «experiência a não esquecer pela negativa». Em 2020, a autarca quer ver o comboio elétrico em Portimão.
Já Joaquina Matos, presidente da Câmara Municipal de Lagos, cidade de início ou final de travessia, não esquece o quarto trimestre de 2020, data prevista de conclusão da intervenção, pois o «Algarve precisa muito desta obra». «Como ouvimos na apresentação há obras no Minho, no Douro, no país todo e nós, nas últimas décadas, perdemos o comboio. É altura de retomarmos esta alternativa da ferrovia moderna, elétrica para dar boa resposta aos residentes e turistas», sublinhou. Como mais-valias a autarca lacobrigense referiu o facto de não ser poluente, ser seguro e confortável, além da velocidade. «Hoje já há muitas pessoas que trabalham em Lagos e vivem em Portimão, ou vice-versa, que viajam de comboio. Tem havido mais procura, mas para se afirmar como alternativa à rodovia e encostarmos mais o carro», há que oferecer condições aos passageiros.
Comboio para o Aeroporto de Faro só depende de estudo ambiental
Este projeto é uma das prioridades do ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques e surge em segundo lugar nas aspirações dos autarcas algarvios, a seguir à eletrificação da via férrea. «Pedimos uma avaliação técnica sobre o que poderia ser a melhoria da procura da ferrovia na região. O que nos foi dito é que, se for possível fazer a ligação ao Aeroporto do ponto de vista ambiental» e técnico, esta será uma realidade. Pedro Marques confirmou que «isso pode aumentar muito a utilização da ferrovia na região e melhorar a mobilidade de turistas e cidadãos», iniciando-se os estudos avançam nos próximos dias.

