O Centro de Saúde de Portimão tem uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF), inaugurada na segunda-feira, 12 de dezembro, por Manuel Delgado, secretário de Estado da Saúde. Batizada como Atlântico Sul, a USF é a segunda a ser criada no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Barlavento. Contará com sete médicos, sete enfermeiros e seis administrativos. O novo serviço chegará a 12500 utentes, inscritos naquele centro de saúde, residentes no concelho de Portimão.
Segundo Leonor Bota, diretora executiva do ACES Barlavento, «a USF Atlântico Sul vai abranger uma grande fatia de utentes sem médico de família. Neste momento, somente temos [nessa situação] 12 mil utentes e, com a criação desta unidade, cerca de seis mil terão médico [atribuído]. Não abrange todos, porque a USF tem três médicos que já desempenham funções no centro», sendo que os doentes seguidos por estes profissionais serão «realocados nesta unidade». «No entanto, como há três médicos que vêm de novo para o Centro de Saúde de Portimão, esses vão ficar com utentes sem médicos», explicou Leonor Bota durante a cerimónia de inauguração.
As propostas da nova equipa baseiam-se na oferta básica de serviços definida para uma USF modelo A. Com horário de funcionamento das 8 às 20 horas, todos os dias úteis, a USF Atlântico Sul, instalada no primeiro piso, pretende disponibilizar um vasto conjunto de atividades na área da prestação de cuidados e promoção da saúde na comunidade, garantindo mais acessibilidade, maior proximidade e qualidade.
A diretora do ACES Barlavento admitiu que esta infraestrutura é «considerada carenciada em termos de recursos humanos, como médicos. Isso não tem impedido, contudo, neste último ano, de serem criadas estas USF, que consideramos fundamentais para a reforma dos cuidados de saúde primários», relembrando que em maio foi inaugurada uma unidade em Lagos (USF Descobrimentos).
A diretora aproveitou ainda para pedir a confiança do secretário de Estado da Saúde, pois a equipa está a tentar, «pese embora todos os constrangimentos, que o ACES Barlavento seja também um dos pilares no âmbito da reforma das unidades de cuidados de saúde primários», pois sabe «que é um desejo do atual governo».
Também na inauguração, João Moura Reis, presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, referiu que há mais USF previstas para a região em 2017 e relembrou que a ARS, ao longo deste ano, «tem implementado uma estratégia de reorganização funcional dos cuidados de saúde primários com vista a aumentar a capacidade de resposta dos cuidados de saúde de proximidade na região». Justificou esta afirmação com o facto de «mais de 80 por cento da população algarvia já ter «médico de família atribuído».
Apesar do presidente da ARS se mostrar satisfeito, ambiciona fazer mais. «A estratégia continuará a assentar no aumento de capacidade da resposta dos cuidados de saúde primários, nas várias vertentes, seja nas USF ou nas unidades de cuidados na comunidade. O esforço para reforçar o número de recursos humanos na região tem sido uma das grandes apostas deste conselho diretivo e continuará a ser», concluiu.
Com a entrada em funcionamento da USF Atlântico Sul, a região do Algarve passa a dispor de 13 USF (seis em Modelo A e sete em Modelo B), que abrangem mais de 100 mil utentes.
A proximidade entre equipas de saúde e cidadãos é, na perspetiva de Manuel Delgado, enquanto representante do governo, uma das mais valias da criação de USF. «Esta inauguração no Algarve, representará mais doentes com médicos de família, mas também um atendimento com mais qualidade e facilidade. O objetivo deste tipo de projetos e iniciativas é evitar, sempre que possível, que os doentes nos seus momentos de aflição se tenham que se dirigir sistematicamente às urgências dos hospitais», afirmou o secretário de Estado da Saúde. Uma situação que, acautelando melhores respostas nestas unidades de cuidados primários poderá reverter um problema de longa data.
«Queremos evitá-lo e a resposta que as USF podem dar, facultando as linhas telefónicas para os utentes, marcando as suas consultas com rapidez, representará com certeza uma melhor alternativa às populações do que uma ida às urgências, que, muitas vezes, no inverno estão superlotadas e no verão, se calhar também, devido à sazonalidade», comparou.
Manuel Delgado considerou ainda que as boas decisões tomadas numa área, afetam as restantes, sendo exemplo todas as dificuldades que o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) vive hoje, «e que já estão atenuadas em relação ao passado», mas serão mais atenuadas no futuro, se os cuidados primários tiverem uma resposta mais eficaz, adequada e de confiança.
O governante explicou que tem orgulho de inaugurar uma Unidade de Saúde Familiar, num contexto em que a sociedade portuguesa vive anos difíceis. «O empenhamento com que estamos a apostar em mais USF contrasta bem com a paralisia que se verificou nestes modelos nos últimos quatro anos. O que queremos mesmo é dotar as pessoas de serviços de saúde de maior proximidade», criticou.
O governante deixou ainda uma mensagem de estímulo aos profissionais, enaltecendo ainda a disponibilidade de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, para trabalhar com o governo os problemas e as dúvidas que existem. «É uma pessoa empenhada nas questões da saúde e que nos tem ajudado muito», resumiu.
O secretário de Estado terminou a inauguração com uma visita à USF, guiado pela médica Maria da Luz Salas, coordenadora da nova estrutura, onde verificou também a nova capacidade de colaboração via videoconferência, com o médico Nuno Marques, na área da cardiologia. Numa troca breve de impressões com o especialista, Manuel Delgado ficou a conhecer a vantagem desta modalidade e nas vantagens que produz, como evitar o incomodo dos utentes terem que se deslocar a outros serviços hospitalares.
Ainda numa pequena troca de impressões com Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, o secretário de Estado ouviu a autarca explicar que, além do bem estar de residentes, é importante reforçar a capacidade de resposta na saúde devido ao turismo. «O turista pensa duas vezes, antes de vir, se não souber que tem condições de resposta seja em que área for. Isto é determinante», até porque o «Algarve é a montra do país», sendo vital ter uma resposta à altura.




