Os cortes de água previstos para o Algarve levam o sector a formar a Comissão para a Sustentabilidade Hidroagrícola do Algarve (CSHA).
Os cortes de água anunciados para o Algarve afetam gravemente a produção agrícola regional, o que leva o sector a formar a Comissão para a Sustentabilidade Hidroagrícola do Algarve (CSHA), que critica as medidas adotadas e propõe alternativas, anunciada hoje.
Integram a comissão 120 produtores, agricultores e associações regantes do Algarve.
Agrupam-se para defender os seus interesses, depois de Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, ter ontem anunciado em Faro, que o Algarve iria ter cortes de água de 25 por cento para a agricultura e de 15 por cento para o sector urbano, incluindo o turismo, sector que não terá quaisquer compensações, como foi hoje anunciado pela mesma tutela.
O ministro fez esse anúncio no final de uma reunião da comissão que acompanha os efeitos da seca.
«A produção agrícola do Algarve é gravemente afetada com as medidas do governo», alertou a Comissão num comunicado, esclarecendo que foi constituída «em reação aos cortes do fornecimento de água no Algarve» e para criticar as medidas do governo, que fazem do sector agrícola o «parente pobre» do tecido económico regional.
Sugerir «soluções para combater a escassez de água no Algarve» é outro dos objetivos definidos pela CSHA, que agrupa atividades agrícolas da região como «a produção de fruta, vinho, aromáticas, animal, entre outras que perduram e identificam a economia e paisagem algarvia», destacou a recém-criada organização.
«Os cortes de 25 por cento do fornecimento de água para a agricultura é uma mera operação de cosmética. Em alguns casos, a redução pode chegar a 50 por cento», considera a nova comissão, frisando que as «outras medidas alternativas apresentadas mitigam apenas parte do problema para a agricultura algarvia, mas deixam de parte outras soluções que seriam mais eficazes para resolver o problema no curto e médio prazo».
A mesma fonte lamenta que as medidas atinjam gravemente a área agrícola e tornem esta sector económico no «mais penalizado» da região, e manifesta a sua concordância com «a proibição de novas áreas de regadio», mas «apenas e só se a proibição for extensível a todas as atividades económicas».
«Não houve nenhuma suspensão de licenciamentos de novos empreendimentos turísticos, já as do sector agrícola estão suspensas para as novas áreas de produção de regadio na região», acrescenta.
Frisando que o sector agrícola tem trabalhado e investido nos últimos anos para gerir «a água disponível de forma eficiente» e alcança uma redução de «50 por cento nos últimos 10 anos», a comissão denuncia que há sectores com «ineficiência na gestão da água» e que perdem 30 hectómetros cúbicos por ano, como é o caso dos municípios algarvios.
A CSHA exige ainda que «sejam criados mecanismos transparentes de acompanhamento, supervisão e controlo» na gestão da água no Algarve.
«Os cortes anunciados configuram no desaparecimento do sector agrícola no Algarve, com consequente impacto ao nível do emprego e da economia da região, da alteração da paisagem (que afetará o turismo do Algarve) e do custo da alimentação dos portugueses», adverte.
As entidades que compõem a comissão sublinham que não são contra medidas de controlo do gasto de água, perante o «problema hídrico» causado pela escassez das reservas no Algarve, mas consideram que «a agricultura não pode é continuar a ser considerada o parente pobre da economia algarvia».
A CSHA propõe ao governo um conjunto de medidas, ente as quais estão a realização de obras para reduzir perdas, a utilização de estações de dessalinização móveis, a reativação de furos municipais com água disponível ou a construção da barragens na Foupana e na zona do Algarve Central.
Na terça-feira, dia 16 de janeiro, durante uma conferência de imprensa em Loulé, convocada para dar a conhecer a posição de várias associações de agricultores algarvios acerca das medidas de combate à seca, Macário Correia, presidente da Associação de Regantes do Sotavento revelou a vontade de o sector querer formar uma Federação Representativa da Agricultura do Algarve, tal como o barlavento noticiou.