A Universidade do Algarve (UAlg) quer criar um campus de saúde junto ao futuro Hospital Central do Algarve, no Parque das Cidades, foi hoje anunciado.
A intenção foi hoje confirmada esta segunda-feira pela reitora, Alexandra Teodósio.
Durante a cerimónia de formalização do novo Hospital Central do Algarve, que decorreu esta manhã, no Estádio Algarve, a magnífica enquadrou esta intenção num novo ciclo da academia, iniciado com a recente eleição da nova equipa reitoral, e disse que este processo dependerá do decorrer das construção do novo equipamento e das decisões institucionais futuras.
«Temos o plano de deslocalizar para esta zona, próximo do Hospital Central, formando um campus de saúde onde a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas e a nossa Escola Superior de Saúde poderiam implantar-se e desenvolver muito melhor a formação e a investigação diretamente associada a esta estrutura de excelência», afirmou.
Acordo a revisitar com municípios
Alexandra Teodósio revelou que já existe um entendimento para a criação do campus de saúde no Parque das Cidades, mas admitiu que o processo terá de ser atualizado.
«Existe um acordo prévio, de facto, para o estabelecimento de um campus de saúde neste local, precisamente, e que foi desenvolvido com a Associação de Municípios de Faro e de Loulé, mas que precisa de ser revisitado à luz das novas realidades e da evolução que tem surgido», disse.
A reitora justificou a deslocalização com as necessidades de crescimento da oferta formativa. «O ensino da Medicina, bem como outros cursos que também precisam de crescer, ter mais espaço e mais instalações, apontam para esta evolução como a mais adequada», afirmou.
Expansão da formação avançada e doutoramentos
A Universidade do Algarve (UAlg) assinou esta segunda-feira um protocolo de cooperação com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, com vista ao acompanhamento de todas as fases do Hospital Central do Algarve.
«Este protocolo estabelece um quadro claro de colaboração para acompanhar todas as fases do novo hospital, desde a conceção até à sua entrada em funcionamento», explicou Alexandra Teodósio.
No plano académico, a reitora assumiu o compromisso de reforçar a formação avançada. «Expandir a nossa oferta de programas de doutoramento e de formação avançada, especialmente em áreas clínicas, associadas à Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas e também à Escola Superior de Saúde», afirmou.
Segundo a responsável, esta aposta terá impacto direto na fixação de profissionais na região. «Fomentar percursos de formação diversificada em saúde, desde a enfermagem, fisioterapia, farmácia e outras áreas, com uma componente científica integrada, permitirá fixar talento, atrair profissionais e aumentar a capacidade de investigação clínica na região», defendeu.
Ecossistema académico-clínico no Algarve
A reitora sublinhou que a Universidade do Algarve tem vindo a consolidar, em articulação com a ULS Algarve, «um verdadeiro ecossistema académico-clínico», envolvendo a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas, a Escola Superior de Saúde e o centro académico-clínico Algarve Biomedical Center (ABC).
«Este centro e estas estruturas têm permitido aproximar o ensino, a clínica e a investigação de forma coerente, alinhada com o que é esperado hoje de instituições modernas de saúde e de prestação de cuidados à comunidade», afirmou, lembrando «o papel crucial que também tiveram durante a pandemia».
Alexandra Teodósio garantiu ainda que a Universidade do Algarve «estará ao lado da ULS Algarve em todas as fases deste processo, com conhecimento científico, formação especializada, inovação e um compromisso profundo».
Autarquia destaca novo ciclo para Faro
O presidente da Câmara Municipal de Faro, António Miguel Pina, considerou que a criação de um campus de saúde junto ao Hospital Central do Algarve representa também um novo ciclo para o concelho, enquadrado no início do atual mandato autárquico e numa nova fase de articulação institucional com a Universidade do Algarve e o sistema de saúde.
«A saúde não se faz apenas de paredes, faz-se também de profissionais», afirmou o autarca, que elogiou o trabalho desenvolvido pela Universidade do Algarve e pela Associação de Médicos do Algarve na formação de médicos e de outros profissionais de saúde.
António Miguel Pina garantiu que os municípios continuarão a apoiar «o aumento da capacidade de investigação na região e a formação de profissionais na área da saúde», considerando o futuro campus de saúde um elemento estruturante para Faro e para o Algarve.
Mais incerto, contudo, está o futuro do Hospital de Faro.
Enquadramento político nacional
No plano político, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sublinhou a ligação entre o novo hospital e o ensino superior, e defendeu que «o Algarve é uma região universitária e tem todas as condições para aprofundar as suas fileiras de inovação, investigação e desenvolvimento».
A governante considerou ainda que o Hospital Central do Algarve será «necessário ao desenvolvimento e à sustentabilidade do curso de Medicina e dos diversos cursos de Ciências da Saúde que aqui se ministram».
