O futuro do Hospital de Faro não está definido, mas a ULS Algarve disso hoje que prevê instalar respostas de saúde e sociais, incluindo um serviço de urgência básica.
As garantias foram deixadas pelo presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, Tiago Botelho, após a assinatura dos acordos que permitem avançar com o Hospital Central do Algarve, esta manhã, no Parque das Cidades, tal como o barlavento noticiou.
«O futuro dos equipamentos que se encontram no perímetro hospitalar do Hospital de Faro, hoje, é algo que terá de ser ajustado nos próximos tempos», afirmou Tiago Botelho. «É algo que terá de ser ajustado nos próximos tempos, enquanto discutimos quer a conceção do projeto do próximo hospital, quer a fase de construção», acrescentou.
O presidente da ULS explicou que já existe trabalho técnico realizado, mas sem decisões fechadas. «Há uma proposta que a equipa de projeto da qual fiz parte entregou ao Governo, no âmbito do lançamento da parceria para a conceção e construção do hospital», disse. «Há uma proposta efetivamente de vários fins a dar ao complexo hospitalar atual. São essencialmente ligados à área da saúde, mas é, como disse, uma proposta».
Bom para respostas de saúde, sociais e interesse público
Tiago Botelho sublinhou que o objetivo passa por manter o caráter público do complexo hospitalar. «Haverá interesse em que aquele parque imobiliário possa permitir continuar a ter fins de saúde, fins sociais e fins, em última instância, de interesse público daquilo que é a intervenção da Administração Pública no seu todo», afirmou.
O responsável defendeu ainda critérios de racionalidade na utilização dos recursos públicos. «Que exista uma poupança de meios e de recursos e, portanto, que exista eficiência, quer no uso das dotações orçamentais, quer no uso de equipamentos e de um bem que é público e que pertence ao Estado», disse.
Segundo o presidente da ULS Algarve, a definição do futuro do hospital será construída em articulação com os parceiros locais. «Será algo que nós vamos construir, falando com os parceiros, falando com a autarquia e falando, naturalmente, com todos os envolvidos», referiu.
Apesar da indefinição quanto ao destino final do edifício, Tiago Botelho garantiu a manutenção de respostas assistenciais em Faro. «Algumas respostas de saúde poderão continuar a existir naquele local», apontou.
No discurso oficial, foi mais concreto: «tal como acontece nas principais cidades algarvias, será necessário garantir, em Faro, um serviço de urgência básica, assegurando proximidade, acessibilidade e equidade no acesso a cuidados de saúde a todos os farenses».
Impacto económico e urbano preocupa município
A saída do hospital do centro da cidade levanta preocupações económicas e territoriais à Câmara Municipal de Faro. O presidente do município, António Miguel Pina, alertou para o peso do hospital na estrutura económica local. «Retira-se do centro da cidade o segundo maior empregador», afirmou.
O autarca sublinhou o impacto prolongado da mudança. «Não é apenas no dia em que o hospital sair, é durante anos», disse.
António Miguel Pina manifestou ainda preocupação com o futuro do edifício. «Preocupa-nos até lá o que é que faremos com aquele grande espaço, com aquele grande edifício», afirmou. «Temos de encontrar soluções concretas», acrescentou.
O presidente da Câmara garantiu que o município não abdica da presença do SNS na cidade. «Faro não abdica do Serviço Nacional de Saúde», disse, defendendo que a população não pode perder respostas assistenciais durante o período de transição.
Transição longa e decisões políticas pela frente
O período até à entrada em funcionamento do Hospital Central do Algarve será exigente para a região. «Continuamos a ter de trabalhar, continuamos a ter de resolver alguns desafios», afirmou António Miguel Pina, referindo-se às urgências hospitalares e às acessibilidades.
O autarca sublinhou a necessidade de soluções de mobilidade eficazes. «Quando este hospital estiver construído, há que haver uma forma fácil para aqueles que habitualmente vêm até aqui, seja de Faro, seja de Portimão, Tavira, Vila Real de Santo António ou Castro Marim», afirmou.
Do ponto de vista político, a decisão de avançar com o Hospital Central do Algarve insere-se num investimento estruturante no Serviço Nacional de Saúde e num processo longo e faseado, com decisões a tomar ao longo do tempo.
Até à abertura do novo hospital, prevista para dentro de cerca de seis anos, o futuro do Hospital de Faro continuará em discussão entre a ULS Algarve, o município, o Governo e outras entidades públicas.