A deputada centrista Teresa Caeiro, eleita pelo círculo de Faro, acusou «a atual maioria de incitar a população das ilhas em relação ao último Governo, apostando na desinformação ou no esquecimento, e na insensibilidade de quem se prepara para perder muito do pouco que tem».
«Os bulldozers chegaram em 2005, não com o anterior Governo. Vieram pela mão do PS, pelo Governo de José Sócrates», afirmou.
Para a deputada do CDS, as demolições nas ilhas-barreira «são consequência prática da vontade política criada pelo PS há 11 anos e agora«.
Resumo da intervenção da deputada Teresa Caeiro:
A Ria Formosa é uma das maiores riquezas que o Algarve e o País possuem e, como tal, concordamos com todas as medidas tendentes a proteger e renaturalizar a Ria e as suas Ilhas Barreira.
Convém recordar a população das ilhas e do Algarve que os bulldozers chegaram em 2005, não chegaram com o anterior Governo, vieram pela mão do Partido Socialista durante o primeiro governo de José Sócrates.
Em 27 de junho de 2005 o Conselho de Ministros aprovou a Resolução 103/2005 instituindo o POOC – Plano de Ordenamento da Orla Costeira entre Vila Real de Santo António e Vilamoura. Na sequência dessa Resolução, foi aprovado, em setembro de 2006, o Despacho, do mesmo Governo, que enquadrou a ação, as competências e o âmbito do Polis Ria Formosa.
Portanto, quando a atual maioria governamental PS/BE/PCP e Verdes incitam a população contra o último Governo, fazem-no apostando na desinformação ou no esquecimento. No esquecimento das pessoas e na mentira, e mais grave, na insensibilidade relativamente a quem se prepara para perder muito do pouco que tem em consequência da ação legislativa daquilo a que se chama esquerda. Esta é que é a verdade.
E é importante parar de mentir e começar por perceber e por separar aquilo que é consequência prática daquilo que é vontade política. As demolições nas Ilhas Barreira são a consequência prática da vontade política do Partido Socialista: vontade do PS há 11 anos e vontade do PS agora, visto que se o Governo o quiser, PODE alterar o POOC!
Dito isto, parece-nos contraproducente dizer que basta suspender o processo de demolições para resolver os inúmeros problemas e desafios com que se enfrentam as Ilhas Barreira e os seus moradores.
Desafio a que haja, de facto, conversações e que sejam envolvidos os moradores, mas não deixem que seja tapado o sol com a peneira.
Sabemos que a devolução das ilhas à natureza exige intervenção e terá de haver demolições, mas NÃO UTILIZAMOS AS PESSOAS PARA FAZER POLÍTICA.
Também sabemos que a defesa da Ria Formosa e das Ilhas Barreira não se pode esgotar nas demolições.
É preciso fazer uma requalificação e uma renaturalização, mas não é com estas falinhas mansas que vamos lá.