O indeferimento do governo do Plano Municipal de Investimentos, no valor de 3,456 milhões de euros, de iniciativa do Presidente da Câmara Municipal de Faro, com o qual se iriam realizar intervenções urgentes na rede viária do concelho e suprir lacunas em escolas, habitação social e no quartel dos bombeiros sapadores, divulgado na quinta-feira passada, está a causar um mal estar na capital algarvia.
O PSD de Faro acusa o PS de «romper o consenso», e que o bloqueio do governo ao plano de investimentos conta «com a conivência de vereadores socialistas».
Para os sociais-democratas «esta decisão tem gerado inúmeras reações de desagrado e espanto, quer na cidade, quer nas freguesias rurais. Perante tais manifestações, o PSD apelou a todos os partidos políticos para que se unissem, exigindo ao governo que revisse a sua posição. Faro deve estar acima de tudo. Fizemo-lo na expectativa de que todas as forças políticas estivessem disponíveis para subscreverem um ofício dirigido ao governo. Desse modo, seríamos, seguramente, mais fortes», dizem em nota de imprensa, datada de 3 de novembro.
Em reunião de Câmara, na segunda-feira, o presidente da autarquia «apresentou uma moção que serviria para manifestar o descontentamento dos farenses pela atitude do governo, a votar com carácter de urgência. Não o seu, de um ou de outro partido, mas sim o descontentamento dos Farenses. Recorde-se que as obras tinham sido aprovadas por unanimidade».
Contudo, «os vereadores do PS impediram que a moção fosse discutida e arranjaram expedientes para forçar o seu adiamento, tratando a matéria como se não fosse inadiável e não exigisse tratamento imediato. Romperam, assim, o consenso».
Ainda segundo o PSD de Faro, «os deputados do PS na Assembleia da República, designadamente um putativo candidato à Câmara Municipal e o Presidente da Concelhia do PS, anunciaram que iriam agendar uma reunião com o Secretário de Estado do Orçamento, pretensamente, para resolver o imbróglio causado pelo governo que apoiam. Dizem tratar-se de uma questão de influência política, declaração grave que põe em causa o governo e fere a autonomia local. No fundo, o que estão a dizer é que o governo decidiu assim porque a autarquia não é da mesma filiação política».
«Com esta atitude, o PS Faro mostra que está já obcecado pelas eleições do próximo ano. Que, se o problema se vier a resolver, só tem interesse que se resolva se for sua a autoria. O PS Faro tem que estar na fotografia, e no centro da mesma. Não pelos Farenses, nem pela importância das obras para a sua qualidade de vida, mas sim por uma trama com objetivos eleitorais que já não se consegue esconder».
Por último, «o PSD Faro apoia as iniciativas do presidente – eleito pelos farenses e seu legítimo representante – para contrariar uma decisão que é violadora do interesse da comunidade, atrasa o desenvolvimento do concelho e frustra as aspirações dos cidadãos».