A visão do deputado municipal Alexandre Pereira para a tradicional Feira de São Miguel é a modernização e relocalização do certame para dinamizar e valorizar outras áreas do concelho de Olhão.
A tradicional Feira de São Miguel, um evento enraizado na cultura e identidade de Olhão, deixou de se realizar, alegadamente e segundo o presidente da Câmara Municipal, António Miguel Pina, «por falta de um local adequado», começa por explicar Alexandre Pereira, deputado municipal do PAN, em nota enviada ao barlavento.
No entanto, com um concelho que se estende por cerca de 130 quilómetros quadrados (km²), Alexandre Pereira considera «incompreensível a ausência de uma solução que permita a continuidade deste evento tão importante para a comunidade».
«A realização de eventos de grande escala, como a Feira de São Miguel ou o Festival do Marisco, na frente ribeirinha ou na zona histórica de Olhão, tem gerado constantes constrangimentos, especialmente durante os meses de verão, com a concentração de atividades e visitantes. A descentralização e relocalização de feiras e eventos importantes permitiria aliviar essa pressão e ao mesmo tempo valorizava outras áreas do concelho», defende.
O deputado olhanense refere que «é hora de olhar para o nosso concelho de forma equilibrada e justa, considerando todas as suas freguesias. Alternativas viáveis, como o recinto do mercado e feira de velharias de Quelfes ou o recinto do mercado de Moncarapacho, são zonas que poderiam perfeitamente acolher a Feira de São Miguel, mantendo viva a tradição e distribuindo o desenvolvimento de eventos pelo território».
E acrescenta: «tive inclusive a oportunidade de abordar este tema com o presidente da União das Freguesias de Moncarapacho e Fuseta que mostrou a sua concordância com esta relocalização».
«Aliás, na nossa candidatura à Câmara Municipal de Olhão em 2021, propusemos a criação de um Parque de Feiras e Exposições, uma infraestrutura essencial para garantir que eventos como a Feira de São Miguel ou Festival do Marisco, possam ser realizados de forma adequada e sustentável, sem causar impacto negativo nas zonas urbanas mais sensíveis. Esta medida continua a ser uma prioridade, e tudo faremos para que se concretize», sublinha.
«Hoje, mais do que nunca, é possível inovar, adaptar e reinventar a Feira de São Miguel, mantendo a sua essência e ligação histórica. Podemos tornar este evento num espaço mais diverso e inclusivo, abrindo as portas a artesãos e produtores locais, promovendo o artesanato vivo e a demonstração de antigas profissões que fazem parte da nossa identidade cultural. Com um enfoque em práticas sustentáveis e na valorização de recursos locais, poderíamos recriar uma Feira de São Miguel mais abrangente, preservando as tradições, mas ao mesmo tempo incorporando elementos contemporâneos que enriqueçam a experiência para todos, sem desvirtuar a sua importância no passado» acrescenta o deputado municipal.
«Enquanto oposição responsável, o nosso compromisso é apontar para o caminho certo, apresentando soluções inovadoras e viáveis para o bem de todo o concelho de Olhão. Juntos, com equilíbrio e visão, podemos construir uma verdadeira alternativa que valorize todas as freguesias e permita o crescimento harmonioso de eventos culturais e económicos de relevo».
«Olhão merece uma gestão que pense de forma inclusiva, eficiente e equilibrada, e estamos aqui para garantir que isso aconteça», conclui.
A Feira de São Miguel, como é atualmente conhecida, é um evento histórico e centenário, foi no ano de 1753 que foi concedido o alvará para a realização da Feira Franca nos dias 28, 29 e 30 do mês de setembro.
Na «Corografia ou Memória Económica, Estadística e Topográfica do Reino do Algarve», de 1841, João Baptista da Silva Lopes diz que Olhão tem «Feira franca de três dias a 30 de abril e outra a 29 de setembro» referindo-se à Feira de Maio recentemente reativada e à tradicional feira de São Miguel.
