A delegação regional do Sindicado dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou, na semana passada, uma situação «surreal» em Vila Real de Santo António.
«Os cadáveres, que aguardam transporte pelas funerárias, neste Centro de Saúde são depositados numa sala não refrigerada e sem outras condições desde há anos. Para os corpos chegarem até esta sala (que está projetada para ser um gabinete administrativo), passam em frente ao bar, depois pelo meio de uma das unidades do Centro de Saúde, na presença de quem aguarda a vez para atendimento, nomeadamente crianças, chegando finalmente à sala que se situa frente a um gabinete onde trabalham vários profissionais» denunciou o SEP, a 21 de julho.
«O cheiro dos corpos em decomposição é insuportável, sobretudo no verão, e já houve situações em que permaneceram todo o fim de semana».
Na terça-feira, 26 de julho, o dirigente do SEP Nuno Manjua confirmou, contudo, que já está em marcha «uma solução provisória».
Ao que o «barlavento» apurou junto desta fonte, em resultado de uma reunião interna naquele serviço, na segunda-feira passada, decidiu-se que «os corpos vão agora para uma sala de reuniões que tem ar condicionado», onde será colocado um ponto de água, enquanto não arrancam as obras para um espaço condigno e próprio para o efeito.
Nuno Manjua alerta ainda que também os Serviços Básicos de Urgência (SUB) de Loulé e de Albufeira sofrem da mesma falta de espaços adequados, sem refrigeração sendo frequente, os cadáveres passarem horas confinados em salas à temperatura ambiente. Fonte da ARS Algarve confirmou que o problema está a ser resolvido.
CDS-PP questionou tutela
De acordo com notícias vindas a público nos últimos dias, o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António não tem condições para acondicionar e preservar os cadáveres, enquanto aguardam transporte pelas funerárias.
A deputada Teresa Caeiro, eleita pelo círculo de Faro, acompanhada pelos restantes deputados da Comissão de Saúde – Isabel Galriça Neto, Álvaro Castello-Branco e Patrícia Fonseca –, querem que a tutela confirme se estão a ser transportados cadáveres pelos corredores do Centro de Saúde de Vila Real de Santo António, à frente dos profissionais e utentes e, também, se aquele Centro de Saúde não tem condições para acomodar os cadáveres, enquanto aguardam o transporte das funerárias.
Os deputados centristas questionaram ainda por que motivo não tem o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António uma sala refrigerada com espaço suficiente para acomodar os cadáveres, e porque motivo não é utilizada a morgue municipal que, alegadamente, dista apenas 30 metros do Centro de Saúde, e, ainda, sendo esta uma situação absolutamente inaceitável, que medidas pretende o Ministro da Saúde tomar de imediato para resolver este problema.
O alerta foi feito pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) que afirma que este é um problema que se arrasta há vários anos. De acordo com as informações publicadas, «os corpos, para serem encaminhados para a sala não refrigerada que é usada, passam pelos corredores do Centro de Saúde à frente dos profissionais e utentes” e “o cheiro dos corpos em decomposição é insuportável».
Segundo as mesmas notícias, o presidente da ARS do Algarve já teria dado ordens para que fosse utilizada outra sala, com refrigeração, sendo que a morgue municipal dista cerca de 30 metros do Centro de Saúde.
A confirmarem-se estas informações, esta é uma situação que preocupa o Grupo Parlamentar do CDS-PP, que considera esta situação absolutamente inaceitável. Nesse sentido, entendemos ser da maior pertinência um esclarecimento imediato por parte do Ministro da Saúde.