Ministra do Ambiente considerou, em Albufeira, «super urgente» intervir nas arribas do Algarve e reforça que segurança no litoral é prioridade do Governo.
A estabilização das arribas é uma prioridade «super urgente» do Governo para garantir a segurança no litoral, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em Albufeira, na terça-feira, dia 3 de março.
A intervenção nas arribas, após o agravamento da erosão provocado pelas recentes tempestades, é um dos «projetos necessários e super urgente para garantir a segurança de quem visita as praias», disse aos jornalistas a governante, à margem de uma visita a praias daquele concelho algarvio.
Maria da Graça Carvalho visitou as praias Maria Luísa e do Peneco para avaliar os estragos causados pelas tempestades que afetaram Portugal continental entre o final de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro, revelando que os danos se estendem de Moledo, no concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, a Vila Real de Santo António, no distrito de Faro.
Contudo, acrescentou, o Algarve é a região onde «há mais problemas com as arribas e os casos mais complicados», resultantes das tempestades de mar, chuvas e ventos fortes que assolaram o país nas últimas semanas.
A ministra revelou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a concluir uma vistoria a toda a costa, sendo as conclusões e os projetos necessários apresentados «daqui a oito dias» (11 de março), no Porto.
Durante a visita, a ministra ouviu também as preocupações do presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, sobre a necessidade de intervir para salvar o rochedo no areal que dá nome à Praia do Peneco, onde foram detetadas fissuras.
Segundo o autarca, o rochedo «representa perigo e pode ruir a qualquer momento», tendo sido delimitado um perímetro de segurança para evitar que as pessoas se aproximem.
«É algo muito simbólico, uma rocha emblemática que representa Albufeira. Vamos fazer tudo para a manter», assegurou, remetendo, contudo, para a APA e para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) «uma solução técnica ou construtiva para salvaguardá-lo da melhor maneira».
A ministra indicou que vai pedir apoio ao LNEC para «apoiar numa decisão» sobre o que fazer relativamente ao rochedo, reforçando que estas intervenções complexas visam «garantir a segurança» de quem visita as praias.
Maria da Graça Carvalho referiu ainda que a estratégia do Ministério do Ambiente está dividida em três eixos de intervenção na orla costeira, com diferentes graus de prioridade: a segurança das arribas, a recuperação das praias com enchimento de areia e projetos estruturais a médio prazo que exigem estudos de impacto ambiental.
Nos projetos de curto prazo incluem-se os de preparação da época balnear, como a estabilização das arribas, pequenos e médios enchimentos de praias com areia e a reparação de passadiços, tal como referiu durante uma visita à Praia de Faro, no final da manhã de ontem.
«O objetivo é que estas obras estejam concluídas antes do início da época balnear, recorrendo a financiamento rápido e flexível», acrescentou a governante.
Os projetos estruturais preveem intervenções de maior escala, que exigem estudos de impacto ambiental, e deverão estar prontos apenas para a época balnear do próximo ano.
«Temos de fazer e tem de ser bem feito», reiterou a ministra, notando que, embora o Algarve apresente os problemas mais complicados no que toca às arribas, a monitorização da APA «é contínua e sistemática em todo o território nacional».
Ainda segundo a ministra, os trabalhos para reforçar o areal em algumas das «praias mais emblemáticas do país» deverão avançar entre maio e o início de junho.
Ontem, durante o primeiro Fórum Mar Portugal, Graça Carvalho defendeu que Portugal deve liderar na proteção e valorização económica dos oceanos, tal como o barlavento noticiou.
Foto: Bruno Filipe Pires