Jornal do Algarve conquista pelo segundo ano seguido um prémio nacional, com uma reportagem de David José Marreiros sobre a luta dos moradores da Meia Praia.
O jornalista lacobrigense David José Marreiros, do Jornal do Algarve, recebeu pelo segundo ano consecutivo o Prémio Especial do Júri para Jornalismo de Proximidade, atribuído pela Associação Corações com Coroa (CCC), com uma reportagem sobre a luta dos moradores da Meia Praia, em Lagos, pela posse das habitações construídas no âmbito do Programa Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL).
A distinção reconheceu o trabalho «A Democracia não chegou aos tijolos lacobrigenses do SAAL: moradores da Meia Praia ainda lutam pela posse das habitações», centrado numa reivindicação que se mantém mais de 50 anos após a criação daquele programa habitacional.
A cerimónia do 13.º Prémio de Comunicação Corações Capazes de Construir decorreu no MACAM – Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa, no dia 30 de maio.
Criado em 1974 por iniciativa do então secretário de Estado da Habitação e do Urbanismo, Nuno Portas, o SAAL procurou responder à grave carência habitacional existente no país após o 25 de Abril. O programa mobilizou associações de moradores e equipas de arquitetos para a construção de habitações destinadas a famílias sem condições de alojamento adequadas.
Foi nesse contexto que nasceram os bairros 25 de Abril e 1.º de Maio, na Meia Praia, em Lagos. A reportagem premiada procura explicar porque continuam sem a posse das habitações muitos dos moradores que ajudaram a construí-las, ou cujos familiares participaram nesse processo.
Segundo o trabalho jornalístico, a reivindicação atravessou diferentes executivos autárquicos e governamentais, transformando-se numa luta que passou de geração em geração.
A cerimónia foi conduzida por Catarina Furtado, presidente da CCC, e incluiu a apresentação de uma instalação do artista SELF, um desfile de T-shirts sobre Direitos Humanos concebidas por alunos da Magestil, com produção de Nuno Baltazar, e vários momentos culturais.
O Prémio de Jornalismo foi atribuído a Sandra Raquel Morão Lopes, da Antena 3, pelo trabalho «Era a rapariga dos vídeos».
Receberam menções honrosas os trabalhos «Eu Devia Estar na Escola», de Sandra Vindeirinho, da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), «Ídolos Misóginos: como os jovens se radicalizam», de João Pinhal e Guilherme Pinto, do jornal Público, e «Os Meninos da Roda: Histórias dos bebés deixados na Misericórdia», de Joana Bastos e Raquel Moleiro, do jornal Expresso.
Na categoria Campanha venceu «Ser Homem Pode Ser Diferente», de Pedro Crispim, Maria João Andrade e Miguel Monteiro, da VML/WPP para a Vodafone. Os Prémios Comunicação CCC, apoiados pela Missão Continente, tiveram Joaquim Furtado como presidente do júri.
A cerimónia terminou com um momento musical e de poesia protagonizado por José Pedro Gil, Emanuel de Andrade e Joaquim Furtado, que incluiu a interpretação de «Os Índios da Meia Praia», de Zeca Afonso.