María Corina Machado é distinguida pelo Comité Nobel 2025 pelo papel na defesa da democracia, mas dedica o prémio ao povo da Venezuela.
A opositora venezuelana María Corina Machado foi distinguida com o Prémio Nobel da Paz 2025 «pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia», anunciou hoje o Comité Nobel norueguês.
«Enquanto líder do movimento pela democracia na Venezuela, María Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos», sublinhou o Comité, que a descreveu como «uma mulher que mantém a chama da democracia acesa no meio da crescente escuridão».
A organização recordou que a líder da oposição tem sido «uma figura-chave e unificadora numa oposição política que anteriormente estava profundamente dividida», exigindo eleições livres e um governo representativo. Fundadora da Súmate, uma organização dedicada ao desenvolvimento democrático, María Corina Machado «defende eleições livres e justas há mais de 20 anos» e tem lutado pela independência judicial, pelos direitos humanos e pela liberdade do povo venezuelano.
Ao reagir à distinção, a antiga deputada afirmou que o prémio «é uma conquista e um reconhecimento para todos os venezuelanos», garantindo que não o vê como um mérito pessoal. «Esta é uma conquista para toda a sociedade. Sou apenas uma pessoa, não mereço isto», declarou, ao ser acordada pela chamada do secretário do Comité Nobel, Kristian Berg Harpviken, que lhe comunicou a decisão.
«Estou muito grata em nome do povo venezuelano», disse, acrescentando acreditar que «os venezuelanos acabarão por vencer e derrotar o regime autoritário» do Presidente Nicolás Maduro. «Ainda não chegámos lá, mas estamos a trabalhar muito para o conseguir, e tenho a certeza de que vamos ganhar», afirmou.
Num vídeo enviado à agência AFP, a líder da oposição, de 58 anos, que vive escondida na Venezuela, confessou estar «em choque» com o anúncio. «O que é isto? Não acredito!», disse, dirigindo-se a Edmundo González Urrutia, o candidato que a substituiu nas eleições presidenciais de 2024, depois de ter sido declarada inelegível pelo Supremo Tribunal de Justiça, alinhado com o governo de Maduro.
Nascida em 1967, María Corina Machado foi deputada da Assembleia Nacional entre 2011 e 2014 e é considerada uma das principais vozes da oposição democrática ao regime chavista.