«Mar de Aral», obra da autoria do louletano José Carlos Fernandes foi ilustrado e escrito há uma década. Em maio deste ano chegou às bancas e conquistou logo diversos prémios de Banda Desenhada.
«Mar de Aral» marca o regresso de José Carlos Fernandes, após alguns anos de interregno, ao mundo da Banda Desenhada (BD), onde aliás, chegou a ser um dos mais reconhecidos, profícuos e elogiados autores, quer como ilustrador, quer como argumentista.
Esta obra, contudo, revela o talento do ilustrador algarvio Roberto Gomes, de 36 anos, natural de São Bartolomeu de Messines, que trabalhou em estreita colaboração com o José Carlos Fernandes.
Uma parceria que se iniciou há já alguns anos, no âmbito de um curso de Banda Desenhada.

Roberto Gomes descobriu as histórias e o universo criativo do «mestre» louletano e rapidamente as desenhou com o objetivo dar vida ao livro «Mar de Aral».
No entanto, e como é habitual neste tipo de publicações, pelo menos no mercado português, um problema de última da hora com a editora, impossibilitou a edição.
«Há histórias neste livro que têm 10 anos e outras até mais. Em 2010 estava tudo alinhado para que fosse publicado, mas isso acabou por não acontecer. Desde então que pensei que seria impossível voltar a reunir as condições necessárias para que tal se sucedesse. O dia de hoje marca o realizar de um sonho» explicou ao «barlavento» Roberto Gomes, na apresentação oficial da obra, ao final da tarde de terça-feira, dia 10 de dezembro, no Palácio Gama Lobo, em Loulé.
São cinco histórias diferentes, com ilustrações em estilos gráficos diferentes que representam a internacionalização da BD portuguesa, uma vez que saiu em mais quatro línguas: basco, castelhano, francês e polaco.
Em Portugal, o livro chegou às prateleiras do género em maio e surpreendeu os críticos.
Foi nomeado para todas as categorias dos dois grandes grupos de prémios portugueses, os «Galardões de BD» e os «Prémios Nacionais de BD».
No primeiro, com atribuição da Comic Con Portugal, foi vencedor nas três categorias (Melhor Argumento, Melhor Desenho e Melhor Álbum do ano).

Já no segundo, foi também distinguido pelo Melhor Argumento e até Melhor Álbum do ano.
Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé fez de estar presente na ocasião.
«É um prazer ter o nome da Câmara de Loulé associada a obras de tão grande qualidade. Gostamos muito de ser diferentes. Num mundo cada vez mais estandardizado, há sempre um princípio que me anima em exercer estas funções, o de procurar associar Loulé e a sua atividade autárquica a projetos que sejam diferenciadores e que sobretudo emerjam contra aquelas que são as tendências dominantes. Enquanto o executivo for este, fazemos sempre muita questão em associarmo-nos a estas causas», disse o autarca louletano.

Para Roberto Gomes, que desenha desde que se recorda, a inspiração para cada uma das histórias do «Mar de Aral», surgiu «após uma pesquisa, o experimentar de técnicas, cores e grafismos e ainda depois de conhecer algumas fotografias sobre a tragédia ecológica que dá nome ao álbum».
Segundo o licenciado em Design de Comunicação, publicar um novo livro não está dentro dos planos para breve.
No entanto, «se houver a oportunidade ideal, não vou dizer que não», assegurou.
Para já, o ilustrador tem-se focado no desenvolvimento de experiências em realidade aumentada, virtual e ainda videojogos.
«Mar de Aral» é uma publicação da editora G. Floy Studio, em parceria com a Câmara Municipal de Loulé. Está à venda em todas as papelarias e na Internet. Contudo, a versão portuguesa, na web, encontra-se esgotada.
Estiveram também presentes os editores José Freitas e Bruno Caetano.