Durante a sessão da cerimónia comemorativa do Dia da Universidade do Algarve, Paulo Águas traçou um balanço positivo dos quatro objetivos estratégicos definidos para o mandato reitoral 2017-2021.
Numa altura em que a academia completa 40 anos, a cerimónia comemorativa do Dia da Universidade do Algarve (UAlg), ontem, quarta-feira, 11 de dezembro, teve um cunho ainda mais especial.
Além disso, o facto de esta efeméride «ocorrer muito próximo do final do ano civil e de coincidir com inícios de ciclos de mandatos reitorais, facilita a reflexão», disse o Reitor Paulo Águas no seu discurso oficial.
Este ano, «acresce a coincidência do início de uma nova legislatura, já marcada pela assinatura de um contrato entre o governo e as instituições de ensino superior públicas orientado para estimular a convergência de Portugal com a Europa até 2030».
Em relação ao 40º aniversário, o magnífico lembrou que «a última e atual década, em particular a segunda metade, tem sido profundamente marcada pela internacionalização, a qual não pode ser entendida apenas como captação de alunos internacionais, onde temos vindo a registar um êxito assinável pois quase 25 por cento dos nossos atuais estudantes são de nacionalidade estrangeira», uma tendência que «continuaremos a aprofundar».
«A última década foi também marcada por fortíssimos constrangimentos financeiros, que continuam presentes» e daí a importância do contrato de legislatura, assinado a 29 de novembro, entre o governo e as instituições de ensino superior públicas.
Embora não implique «a alteração da nossa missão, nem dos objetivos estratégicos 2017-2021, não deixará de ter um forte impacto na nossa atividade». O principal desafio é o aumento da percentagem de jovens de 20 anos a frequentar o ensino superior a passar dos atuais 50 para 60 por cento em 2030, além do reforço na Investigação e Desenvolvimento (I&D) e da internacionalização, em linha com o que a UAlg tem vindo a apostar.
O reitor anunciou que durante a manhã de ontem, o Conselho Geral aprovou o plano de atividades e o orçamento para 2020. Agora, na reunião ordinária prevista para março de 2020 será apresentado o relatório de atividades de 2019.
O Conselho Geral aprovou também o pedido de autorização para criação de um consórcio com a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Évora. O desenho da proposta de colaboração deverá sair no início de 2020, devendo a assinatura do consórcio acontecer até ao final do primeiro trimestre.

Balanço do mandato
Em relação aos objetivos estratégicos que traçou para o seu mandato reitoral, Paulo Águas disse que «os resultados alcançados são muito animadores.
Em 2018/19, «o número de inscritos voltou a aumentar (+4,3 por cento). Foi o terceiro ano de consecutivo de crescimento. Os indicadores disponíveis apontam para novo crescimento em 2019/20. Deveremos voltar a ultrapassar os 8000 estudantes de grau (ou seja, sem mobilidade), o que não acontece desde 2011/12».
«O crescimento manteve-se mais forte entre os estudantes de nacionalidade estrangeira, que passaram a representar 21 por cento do total (estão incluídos os estudantes de mobilidade). Em 2019/20 poderão ser mais de 2000, passando a representar, aproximadamente, 25 por cento da comunidade estudantil».
Em relação ao crónico problema da falta de alojamento para os estudantes, Águas lembrou que «desde 2016 que as mais de 500 camas dos Serviços de Ação Social passaram a ter ocupação plena. A reorganização dos espaços letivos em 2018/19 permitiu libertar o edifício da Escola Superior de Saúde, o qual foi sinalizado pelo Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior. Contrariamente às nossas expetativas, em 2019 os progressos foram lentos. São aguardados novos desenvolvimentos, que poderão possibilitar termos uma nova residência em 2021».
Ainda assim, «o número de diplomados aumentou em 2017/18, o que não acontecia desde 2012/13. Os números de 2018/19 só ficarão fechados a 31 de dezembro, sendo relativamente seguro afirmar que voltaremos a registar novo aumento».

Para já, «os dados disponíveis, quer do inquérito anual que realizamos junto dos recém-diplomados, quer do número de desempregados inscritos no IEFP, indicam uma boa integração dos diplomados no mercado de trabalho, com uma evolução recente favorável».
Referindo-se ao segundo objetivo, aumentar a produção científica, tecnológica e cultural de qualidade e a sua transferência e valorização para a sociedade, o Reitor referiu que «em fevereiro de 2019, e dando cumprimento à norma transitória do emprego científico, foram contratados 20 bolseiros doutorados. No total, em 2018 e em 2019, ao abrigo da norma transitória foram contratados 41 investigadores. Ao longo do ano foram abertos outros concursos ao abrigo de outras linhas do emprego científico. Tudo somado, temos hoje mais de 80 investigadores contratados, valor que continuará a aumentar em 2020».
«Considerando a massa salarial dos investigadores contratados, a despesa total em I&D irá aumentar este ano. Em 2019 foram conhecidos os resultados do processo de avaliação 2017/18 das unidades de I&D, por parte da FCT, que determinam o financiamento para o período de 2020-23. Os resultados foram interessantes. Em termos globais, as unidades de I&D conseguiram um aumento do financiamento plurianual».

«Tivemos ainda o reconhecimento de algumas áreas científicas por parte de rankings internacionais, nomeadamente: as Ciências da Vida, as Ciências da Saúde, a Economia e Gestão no ranking das Times Higher Education e as áreas do Turismo, de Oceanografia e Ecologia no ranking de Shangai».
«Lideramos uma Aliança de universidades europeias, que se candidatará em 2020 a financiamento. A Aliança Horizonte da Sustentabilidade é constituída por sete IES jovens, localizadas em pequenas cidades da periferia da UE, do extremo sul (Faro – Portugal) ao extremo norte (Tromso Noruega), realizando atividades de transferência e coprodução de conhecimento com impacto regional relevante».
Tal como foi anunciado em maio, no campus da Penha irá ser criado o UAlg TEC CAMPUS, uma infraestrutura com 4500 m2 que irá acolher empresas na área das TICE que irão interagir com a investigação e o ensino da UAlg.
«Esperamos ter sucesso na abertura do concurso, prevista para o início de 2020, após uma primeira tentativa sem êxito realizada este ano».
Durante o discurso, o magnífico assinalou ainda aquele que é talvez o mais desafiante objetivo do seu mandato: aumentar o impacto da UAlg na sociedade.
«Trabalhamos para isso. Todos. Uns de uma forma mais direta. Os restantes de forma indireta. Queremos aumentar o impacto na sociedade e sentimos que estamos a fazê-lo», sublinhou.
Águas enumerou alguns exemplos mais recentes, como a participação no projeto Hemeroteca Digital do Algarve; a participação na elaboração de candidatura do Geoparque Algarvensis, o Geoparque Mundial da UNESCO, com os municípios de Loulé, Silves e Albufeira; o papel de co-promotor da candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura em 2027; o projeto Culatra 2030 – Comunidade Energética Sustentável; as campanhas de escavação na cidade romana de Balsa em Tavira e do bairro islâmico de Cacela Velha, em Vila Real de Santo António; a liderança com a CCDR na candidatura, bem sucedida, junto da comissão europeia para a região Algarve ser um Centro de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável; a preparação, em conjunto com a RTA e a CCDR, da candidatura do Observatório para o Turismo Sustentável do Algarve à Rede Internacional de Turismo Sustentável da Organização Mundial de Turismo.

«Promovemos a criação da Rede das Instituições de Ensino Superior para a Salvaguarda da Dieta Mediterrânica e de uma outra para o Voluntariado. Integramos ainda a rede de Universidades Portuguesas para a Sustentabilidade» lembrou.
O impacto na sociedade «não ocorre apenas através de trabalho conjunto com parceiros externos. Os investimentos realizados no aumento da eficiência energética, a introdução de quatro viaturas elétricas na nossa frota automóvel e a promoção de mobilidade suave com a disponibilização, já no início de 2020, de bicicletas para os nossos estudantes reforçam o nosso compromisso com a sustentabilidade».
Por fim, lembrou o que está a ser feito para aumentar o grau de satisfação dos stakeholders.
«Comecemos pelos estudantes. O inquérito às perceções ensino aprendizagem constitui o principal instrumento para monitorização do grau de satisfação dos estudantes. Numa escala de um a seis, 90 por cento das respostas dos estudantes em relação à apreciação global das unidades curriculares situam-se entre os níveis quatro a seis. Sentimos que temos ainda margem para melhorar. Queremos alcançar uma maior concentração de respostas no extremo superior da escala. Até ao dia 18 de dezembro estão a decorrer os inquéritos relativos ao 1.º semestre de 2019/20, verificando-se, até à data, um aumento da participação dos estudantes, o que consideramos muito encorajador».
«Com o intuito de melhorar os serviços prestados ao estudante foi criado o balcão do estudante, em funcionamento em Gambelas desde setembro, estando em curso as obras para instalação de um outro balcão na Penha».

«Logo em 2018 avançámos com a contratualização de metas com as unidades orgânicas, associadas a abertura de vagas para professores para categorias não iniciais. Hoje temos resultados para apresentar: 25 concursos autorizados. A maior parte desses concursos terão edital publicado até ao final do ano. Nesta última década, 2019 ficará assinalado como o ano em que foi aberto o maior número de concursos. Nos próximos meses serão contratualizadas metas para o período 2020-2023».
No próximo mês de janeiro serão apresentados, e discutidos, «os resultados de um estudo de natureza quantitativa desenvolvido junto dos docentes, dos investigadores e dos trabalhadores não docentes e dos investigadores da instituição, com a finalidade de conhecer as perceções a respeito de variáveis associadas ao clima de segurança, às atitudes face ao trabalho e à instituição e à perceção do seu desempenho enquanto trabalhador. A discussão permitirá a identificação de ações para melhorarmos o clima organizacional», concluiu.