O prémio Nobel da literatura foi este ano atribuído a Bob Dylan. Alguns concordam, outros discordam. Não vou discutir se o prémio foi merecido ou não, não vou discutir se o prémio foi ou não bem atribuído, mas quero deixar claro que são duas coisas diferentes. Um prémio, qualquer prémio, é sempre o reconhecimento do premiado e também o reconhecimento da área em que se distingue. Quero dizer com isto que um prémio literário, qualquer prémio literário, e o Nobel, por mais importância que se lhe conceda, é um entre muitos, aponta em primeiro lugar para a literatura, para o seu valor, dando-lhe destaque, e só depois para o premiado.
Gosto de pensar que estes prémios, ao afirmarem a literatura e os seus autores, são um convite à leitura, não só para os leitores habituais mas também para aqueles que habitualmente não leem. E é claro que ao distinguir um autor, quer seja um dos seus livros ou a sua obra, se está a sugerir a sua leitura e o Nobel é exemplo disso, como facilmente se pode constatar nos escaparates das livrarias e demais postos de vendas depois da sua atribuição. O que me causa alguma confusão é que os prémios literários, e o Nobel é exemplo, muitas vezes chamem mais a atenção para o autor do que para a sua obra, que muitos desconhecem e continuarão a desconhecer.
O que me causa alguma confusão é que alguns prémios chamem mais a atenção para si mesmos do que para o premiado. Mas o que me causa mesmo confusão é que o interesse pela literatura, e não esta, esteja pela hora da morte, desculpem-me a expressão vulgar. É claro que os prémios são importantes, sem dúvida, mas gostaria de pensar que o mais importante é a literatura e o prémio que pode ser a sua leitura para qualquer pessoa que a encontre, atraída ou não por prémios literários.
Confesso que eu próprio às vezes me interrogo quanto ao valor da literatura, mas não é menos verdade que continuo a ler, se escritores e obras premiadas ou não, tanto me faz, desde que me permita viver e sonhar. Mas se os prémios não são tudo, ignora-los também não me parece a melhor atitude, porque ignorar os prémios literários é, no fundo, ignorar a própria literatura. Fernando Esteves Pinto ganhou este ano o prémio literário Cidade de Almada, na categoria de romance, e Carlos Campaniço ganhou o mesmo prémio em 2012.
É um prémio importante e com prestígio no panorama literário nacional. Aponta para a literatura nacional e para os seus autores. Assim, a minha sugestão é que se deixe tentar, caro leitor. O que não mata, engorda, diz o povo, por isso procure os livros destes dois escritores e leia-os. Pode compra-los, trazê-los da biblioteca ou pedi-los a um amigo, pouco importa! E depois diga-me coisas.
PS: Pouca importância tem, caro leitor, mas ambos os escritores residem no Algarve.
Da minha janela vê-se o Algarve | Luís Ene